domingo, 12 de junho de 2022

Não através da força, nem da violência, mas respeitando a livre escolha

 


Martinho e Lucas eram adolescentes amigos de escola. Conversavam sobre muitos assuntos. Eram quase como irmãos. Mas, suas famílias eram muito diferentes uma da outra.

Os pais de Lucas eram muito autoritários e não eram muito de dialogar com ele. “Ordem é ordem; regras são regras! E não tem que discutir! Obedeça!” Assim pensavam eles. Por isso, Lucas sentia-se preso e sempre angustiado, com medo de ser punido, seja em palavras ou atitudes. Não via a hora de ser livre e independente. Então, formaria para si um lar amoroso e afetivo, cheio de paz, delicadeza e gentileza, onde todos ajudassem uns aos outros e se apreciassem mutuamente.

A casa de Martinho era muito diferente da de Lucas. Era um ambiente descontraído, com muita conversa e risada. Claro, também tinha hora para conversas sobre assuntos mais sérios. Mas, não se elevava a voz e só respeito sempre era mantido, tanto da parte dos pais, quando da parte dos filhos. O pai de Martinho fazia muitas perguntas sobre seus sentimentos, opiniões e gostos. Prestava atenção nos seus interesses. Queria realmente saber como ele se sentia e via as coisas, tinha interesse em conhecê-lo profundamente, e que ele também se autoconhecesse.

Martinho podia falar tudo abertamente com seus pais, pois mesmo quando discordavam dele, nunca eram agressivos, nem ofensivos, nem usavam de ameaça, como os pais de Lucas, para que ele fizesse o que eles queriam e então se sentissem seguros. Havia regras na casa, do que era certo e do que era errado, por ser prejudicial ou injusto a si mesmo e/ou aos outros. Mesmo quando reprovava um ou outro comportamento de Martinho, seus pais queriam que ele compreendesse seus motivos e razões, e percebesse que as regras, princípios e conselhos que eles lhe davam, eram para que fosse sempre feliz e que tudo lhe fosse bem, sem ter necessidade de sofrer danos ou prejuízos consequentes de escolhas tolas. Assim, pediam que ele considerasse o que falavam antes de fazer suas escolhas definitivas. Todos, adultos e adolescentes, pediam perdão quando falhavam aos preceitos justos ou quando magoavam outras pessoas, e buscavam reparar seus erros. Todos estavam sujeitos da mesma maneira à Lei do Criador e deviam reconhecer suas responsabilidades. Dessa forma, tanto os adolescentes quanto os adultos iam se aperfeiçoando na prática do amor e da retidão, e juntos eram responsáveis por construir o ambiente familiar harmônico, respeitoso e afetivo. Era necessária a colaboração de cada um.

No entanto, na casa de Lucas, o clima era de que se ele fizesse tudo que dele era pedido, não fazia menos que sua obrigação. E se falhasse em algo, então levava uma bronca enorme, ou era ameaçado, ou recebia gritos e palavras duras. Não se sentia amado, nem apreciado, muito embora soubesse que seus pais queriam seu bem. Eles estavam interessados que eles fizessem o que eles queriam para que ele estivesse seguro aos seus olhos. Com isso, a ajuda para que o filho se autoconhecesse não era valorizada, e sim a obediência. Lucas sentia-se um eterno devedor, que, em sua máxima performance, receberia como prêmio, a ausência das broncas e gritos. Até na rua, os pais de Lucas viviam brigando com as outras pessoas, em busca de exigir o que era “certo”. O lado positivo é que eles queriam fazer as coisas corretamente e assim serem benéficos. Mas, ninguém pode exigir que o outro faça o que ele quer. Pois isso é desrespeitar as escolhas das pessoas. No entanto, os pais de Lucas não percebiam que os meios rígidos e autoritários poderiam ferir as pessoas, que se sentiam desrespeitadas, e que algumas atitudes agressivas podiam negar-lhes a cordialidade e o bem-estar. Na verdade, as pessoas quando falham, precisam, às vezes, de um olhar bondoso e palavras positivas, para que continuem animados perseverando no caminho em rumo ao mais amoroso, gentil, repleto de sabedoria de Deus.

Certo dia, Lucas chegou na escola nitidamente pálido e com os olhos inchados. Parecia muito aflito. Durante a aula, parecia muito distante. Martinho notou que ele nem conseguia participar da aula e parecia muito triste. Durante o intervalo conversavam:


- O que aconteceu, Lucas?

- Ah, o de sempre. Sempre cobranças, gritos e reprovações. Quando falo o que penso, recebo tantas críticas ou até menosprezo das minhas opiniões, combinado com alguma coação, tentativa de me forçar ou impor, para que eu não siga o que tenho convicção ou o que estou pretendo escolher, mas o que eles querem. Minha casa é um lugar autoritário onde não consigo falar o que penso, nem ninguém parece querer saber. Contato que eu siga as regras e cumpra meus deveres… Eu não tenho voz. Não posso ser eu mesmo. Vivo com medo de ser atormentado pelos meus pais e suas atitudes agressivas.

- Quer pedir para os seus pais para passar o final de semana na minha casa?

- Já fizemos isso, lembra? Alivia um pouco, mas depois que volto pra casa, sinto-me ainda pior, pois aí me dou conta de quão maravilhoso é poder crescer com liberdade de ser você mesmo, em um ambiente amistoso, alegre e cheio de diálogo como a sua casa, e a semana seguinte fico mais triste ainda,

- O que você sugere, então?

- Sugiro que você finja ser eu e mude para minha casa.

- O quê?

- Você sabe como as pessoas na escola dizem que somos parecidos. Se fizermos o mesmo corte e cabelo e trocarmos nossas roupas, podemos ficar iguaizinhos. Esse é nosso último ano na escola, depois vou me mandar para fazer universidade em outra cidade bem longe, para não sofrer com essa braveza dos meus pais.

- Não esqueça que eles querem para você o melhor e acham que assim você se sairá bem.

- Eu sei. Mas eles não percebem que o que eu mais preciso é um ambiente amoroso e calmo para eu me desenvolver. Sei que não podemos fazer tudo que queremos sempre e que devo ser responsável e agir corretamente. Mas, não aguento mais esse clima nervoso. Quebra esse galho pra mim, amigão?

- Tá, tá bom. Vamos fazer um teste de uma semana. Ai vejo como é com seus pais.

- E assim foi.


Depois da escola, no dia seguinte, cada um foi para a casa do outro, o contrário de sempre.

Lucas ficou feliz da vida. Ele tinha espaço para falar e ser ouvido. Tinha tranquilidade. Não era chamado toda hora e exigido. Importavam-se com sua opinião e gostos, e com seus sentimentos, não somente com as regras. E não demandavam tanto quanto seus pais. Para ele parecia um paraíso. Tinha mais liberdade e um lar cheio de harmonia e alegria.


Mas Martinho, na casa dos pais do Lucas, começou a experimentar as aflições que ele descrevia passar todos os dias. Grito daqui, crítica de lá, nunca tá bom, sempre tá devendo. Sua vida se tornou amarga. Voltou para escola e desabafou com Lucas no dia seguinte: Lucas, socorro! Eu também não vou aguentar isso, não.

- E agora, o que a gente faz?

- Quero voltar para minha casa, disse Martinho.

- Já sei, tive uma ideia. Lembra do Oscarzinho, aquele menino difícil que só apronta?

- Sei.

- Que tal fazer um intercâmbio escolar e eu ir para a casa dos pais do Oscarzinho e ele para minha?

- Por que?

- Talvez com Oscarzinho eles desistam do método imposição e controle para lidar com ele.

- Não sei não. Acho que eles vão bater nele.

- Oscarzinho era um menino impossível.


Percebeu desde o início em que estava na casa dos pais de Lucas que eles eram controladores e dominadores. Por isso, resolveu mentir e dissimular, sempre que quisessem lhe impor. Assim, conseguiria aprovação deles e que eles não o amolassem.

- O casal achou Oscarzinho ótimo, bem melhor que seu filho Lucas. E não entenderam por que Lucas não era tão obediente como ele. Desde então, muitos anos se passaram, mas os pais de Lucas sempre mencionavam o maravilhoso Oscarzinho e sempre que ele lhes contrariava eles mencionavam: “Por que você não é obediente como Oscarzinho?”.

- Muitos anos se passaram e cada um seguiu suas vidas, escolhendo seus próprios caminhos. Lucas casou-se e foi morar com sua esposa. Seguiu a vida de acordo com seu próprio caminho e convicções, embora elas fossem diferentes das de seus pais e do que eles o queriam forçar a fazer e ser. No entanto, Lucas era uma pessoa íntegra, trabalhadora, amável, e busca agir com justiça, solidariedade, compaixão e doação ao próximo.

- Certo dia enquanto estavam todos juntos em uma reunião de família com seus pais, o vizinho chegou correndo com o jornal na mão cuja manchete principal dizia: “ Oscarzinho preso por estelionato, após golpear uma família em mais de 1 milhão de dólares”.

Naquele momento, os pais de Lucas ficaram tão chocados que não conseguiam falar nada. Para Lucas não era tão grande a novidade, só o ápice de um caminho de desvios e mentiras que começou

no infância de Oscarzinho. Mas, para seus pais, ele era o modelo de obediência. Até tinham um pouco de orgulho por terem ajudado a educar o rapaz….

Pensaram: nunca mais vou tentar controlar as escolhas de outro ser humano, muito menos ser autoritário e quer impor coisas a pessoas de mais de 12 anos de idade. De duas, uma: ou as pessoas vão se afastar de nós, para poderem ser elas mesmos; ou vão se afastar de si mesmas, de como o Criador os fez, tornando-se mentirosos e enganadores, quando na verdade, enganam e prejudicam a si mesmas, além de outros.

Nesse mesmo dia, pediram perdão a Lucas por todas as vezes que tentaram forçar que as coisas fossem como eles achavam que era bom para eles.

Agora, sei” - ,disse, sua mãe

Não era certo tentar interferir em escolhas que são suas, nem puni-lo ou tentar forçá-lo quando não escolher de acordo com minha opinião. Nenhum ser humano pertence a outro, mas todos ao Criador. As coisas não são do nosso jeito. As coisas são do jeito de Deus, conforme o propósito com que Ele criou cada um e ofertou dons e talentos a cada um. Cabe tão somente orientar conforme os valores éticos do Criador e deixar que o outro, em liberdade, percorra seu próprio caminho, faça suas próprias escolhas. Afinal, amor é deixar o outro ser livre, dar orientação e ajuda que sabemos, quando a pessoa assim, desejar.” E tem mais. Nós não sabemos tanta coisa. Às vezes, a orientação que a pessoa precisa nós não somos capazes de dar, pois ainda não temos sabedoria o bastante. Mas o Criador tem. Certamente, Ele guiará quem O buscar de coração verdadeiro para aprender o caminho do amor e da justiça. Então, meu filho, disse ela, sei que estará seguro nas mãos dEle, pedindo por Sua sabedoria e direção. E estarei aqui sempre para você, caso queira uma opinião ou conselho ou que compartilhe com você o que tenho aprendido através das minhas experiências. Seu pai disse: eu também penso o mesmo filho. Perdoe-me.

Então todos se abraçaram, quando pela janela Lucas viu alguém olhando para ele. A pessoa parecia muito feliz por ele e ergueu as mãos pros céus agradecendo. Era o Martinho, seu grande amigo, partilhando de seu alívio e alegria, por ter iniciado hoje uma nova dinâmica afetiva e de liberdade na família Lucas, que se tornava na direção do que ele sempre sonhou: família afetiva, carinhosa e respeitosa, apreciadora das qualidades uns dos outros, mesmo quando a característica dos outros não é igual à nossa.




quinta-feira, 31 de março de 2022

O Robô e o Menino - O conhecimento sozinho não é suficiente




Um menino cresceu na companhia de seu amigo Robô. Tudo faziam juntos, era seu companheiro desde quando era bebê.

Certo dia, percebeu que seu amigo robô estava muito triste. Preocupado, perguntou-lhe: O que está acontecendo Robô? Por que está triste?

O Robô disse-lhe: Estou cansado das minhas tarefas serem todas pré-programadas pelos humanos, disse, em desabafo ao menino. Quero ter um coração para poder tomar decisões, como os humanos.


O menino disse a ele: Isso não podemos dar a você, Robô. Isso nos foi dado pelo Criador. Muitos seres humanos dariam tudo que têm para terem toda a informação que você tem no cérebro deles.

Por quê? Porque assim seriam apreciados, teriam maior aprovação de toda a sociedade, conseguiriam empregos em altas posições das companhias e salários bem pagos em seus trabalhos.

Eu entendo que receber aprovação é algo agradável. Mas no meu caso, disse o robô, sou aprovado até que seja criada uma melhor tecnologia do que a minha, ou seja, um robô de tecnologia mais avançada que a minha. Então, serei jogado no lixo.

Se eu tivesse um coração, amaria todas as pessoas e daria valor a elas, pois todas têm potencial para serem bondosas, importarem-se e cuidarem umas das outras e de suas reais necessidades. Todas tem algo a contribuir com seu trabalho usando seus dons e talentos. Só é preciso dar chance e condições para que todos se desenvolvam.

Se eu tivesse um coração, agradeceria ao Criador todos os dias por me dar a liberdade de tomar minhas próprias decisões e me juntaria a outros que querem ajudar a construir um mundo mais amável, onde ninguém é excluído, nem inferiorizado ou descartado.

Um mundo onde todos podem desenvolver seus talentos e dons, e terem oportunidades para ajudarem uns aos outros nas suas necessidades que envolvem diferentes áreas do conhecimento. Assim todos poderão ter suas necessidades básicas humanas satisfeitas, pois todos serão contribuintes, todos serão respeitados e valorizados.

Veja por exemplo aquele garoto que dorme na rua– ele não é bem tratado; vê aquele lá – é rico, tem tudo, mas não é feliz; E a quantidade de informação não pode mudar isso. Mas, a decisão em usar a informação para realizar bons atos e gestos pode fabricar felicidade.

Eu sou programado para fazer sempre as mesmas coisas. Não posso interromper meu programa para cuidar de uma pessoa necessitada, ou para dar um sorriso para alguém que está triste, ou para ajudar alguém sobrecarregado a carregar sua carga.

Cuidar de alguém de acordo com suas necessidades reais básicas requer percepção e decisão. Fazer cada um a sua parte. Quando Deus me der meu coração, vou usar toda informação que tenho para ajudar as pessoas a não sofrerem mais.

O menino disse: Sabe de uma coisa, Robô. Você já tem um coração. E ele é muito menos duro do que o de muita gente.

Por quê? - disse ele surpreso – Porque mesmo que ainda não possa tomar decisões, você já tem o melhor desejo: o de servir a outros para benefício deles.

O tempo foi passando e chegou rapidamente o dia em que o Robô se tornou obsoleto, ultrapassado, e, conforme previa, foi considerado, por muitos, sucata.

O menino, que então já era pai, entretanto, manteve o amigo consigo em boas condições e nunca deixou de amá-lo. Pelo contrário, resolveu contar a história do seu amigo Robô aos seus filhos e eles a seus vizinhos e amigos de escola, que por, sua vez, contaram a todos ao seu redor, e assim, a história do Robô se espalhou; Todos queriam conhecê-lo e ele se tornou a referência de todas as gerações que depois do menino vieram, para que nunca ninguém se esquecesse de que a decisão de amar e cuidar um dos outros, principalmente dos menos favorecidos, que não tiveram boas condições de desenvolvimento ou estão em posições mais frágeis, é mais preciosa que milhares de informações usadas por alguém cujo coração se tornou frio.

Pois, as informações podem mudar e o ser humano pode descobrir mais coisas que hoje não conhece, mas o amor é eterno e liga os corações para todo sempre. Com amor, podemos beneficiar outros utilizando conhecimento. Com amor, podemos remover a dor de quem não tem suas necessidades supridas e ajudar com que eles mesmos tenham emprego e possam usar seus dons e talentos e através disso receberem seu salário. E os que não tem paz e até os que esqueceram o amor de seu coração, podem reaprendê-lo e praticá-lo novamente, não deixando as tarefas e excesso das informações danificarem o principal.


terça-feira, 1 de março de 2022

O Homem que Redescobriu seu Coração

 

Era uma vez uma sociedade, onde o valor de cada pessoa era conforme suas conquistas e sucessos. Foram ensinados que deveriam estudar para ter os melhores desempenhos, para assim, terem trabalho e serem valorizados pela sociedade. Pensavam que tinham que competir uns com os outros para sobreviverem. Então, cada um se fechava em si mesmo, estudando como louco para tirar notas altas para não serem humilhados pela sociedade. Comparavam-se uns com os outros e não conseguiam ser muito amigos, pois, afinal, a rivalidade e a corrida pela valorização estava presente. E ninguém queria ser desvalorizado.

Quando trabalhavam em assuntos diferentes era mais fácil serem amigos, pois a competição, pelo menos de trabalho, não existia. Mas, a competição na vida continuava. Pois, nessa sociedade, as pessoas eram medidas pela quantidade de dinheiro, conquistas e sucesso que tinham. Mas, havia algo muito contraditório em tudo isso: certamente quem mede, usa um critério ou instrumento de medida. E o dessa sociedade era principalmente o dinheiro e os alcances científicos ou atléticos, ou de altas posições sociais, como cargos de chefias e poderes, sejam políticos, acadêmicos, religiosos, etc.

Entretanto, no meio dessa sociedade, havia um grupo de pessoas especiais. Essas eram pessoas que tinham certas limitações físicas, cognitivas ou intelectuais. Elas estavam sempre unidas e não se mediam pelos mesmos parâmetros dessa sociedade. Certamente, tinham desvantagens para alcançar as altas posições, os altos desempenhos em certas atividades, etc, mas algo mais significativo não os faltava: aceitavam uns aos outros assim como eram, sem exigirem uns dos outros. Atribuíam valor intrínseco uns aos outros, pelo seu ser, pela sua essência, não pelas circunstâncias de terem ou não conquistas. Afinal, para eles, o mais importante é o que o ser humano tenha um bom coração. Talentos e dons todos têm, de modo diferente. E assim, todos podem contribuir, de maneiras diferentes na sociedade. Mas, assim como todas as pessoas têm fortalezas e dons, todas tem também limitações e fraquezas.

Suas dificuldades haviam lhes ensinado algo importante: que todos somos limitados, mas isso não tira de nós a nossa beleza interior. Afinal, o amor que tinham um para com os outros, o cuidado e aceitação mútua, a alegria de poderem se divertir juntos e compartilhar a vida, tudo isso era tão maior que suas limitações. Mas, algumas pessoas que não tinham necessidades especiais ainda não haviam aprendido essas lições. Comparavam-se e competiam umas com as outras em suas posições, cargos, conquistas e prêmios. Não aceitavam as pessoas que não haviam conquistado muito como eles. Não conheciam o amor e o cuidado mútuo. Pois, estavam muito ocupados estudando, trabalhando, para serem bem-sucedidos. Quase não tinham tempo nem para sua própria família, o que dirá para serem solidários, amorosos e gentis com as pessoas que não eram bem-sucedidas aos olhos da sociedade

Então, veio uma grande crise econômica, e cada vez mais pessoas bem-sucedidas foram demitidas, e não mais encontravam trabalho. Passaram a serem vistos como fracassados por aquela sociedade individualista. Entre eles, estava Francisco. Ele se lembrou das pessoas especiais de sua sociedade, pois agora compreendia como talvez se sentissem por serem considerados não tão valorosos pela sociedade como as pessoas que têm, supostamente, menos limitações evidentes. Olhou para os profissionais desvalorizados da sociedade, a pessoa da limpeza, a pessoa que ajudava a achar o livro que ele queria ler na biblioteca, o professor de educação física que ajudava as pessoas a fazerem ginástica e assim se manterem saudáveis.

E pensou: como pude ser tão tolo a ponto de me deixar levar por essa onda onde só alguns são valorizados e outros depreciados? Todos precisamos de todos, pois as pessoas com seus diferentes talentos e dons, diferentes fraquezas e fortalezas se completam, aprendendo umas com as outras, se não as desprezarem. Por que então alguns são vistos como menores ou com menor valor? Quem está medindo, pensou ele? O dinheiro? A fama? Se temos algum dom ou habilidade, quem nos deu? Existe alguém que não tenha nenhum dom ou que esteja em vão no mundo? Por que não é garantido a todos o direito ao desenvolvimento e ao trabalho, cada um conforme suas capacidades e talentos? Então, Francisco verdadeiramente se assustou consigo mesmo, por ter feito parte daquele jeito de pensar o mundo, se tornando um escravo de um sistema que conforme a circunstância valoriza alguns e não se importa com os outros.

Passou a se sentar com todas as pessoas que antes evitava, por não fazerem parte dos admirados pela sociedade. Viu sua simplicidade e aprendeu a amar. Deu prioridade a ver o amor nos corações. Percebeu o quanto se importavam e cuidavam uns dos outros. E um podia contar com o outro nas suas dificuldades. E cada um fazia o máximo de suas possibilidades para ajudar um ao outro e o mundo. E todos tinham características e dons diferentes, e todos, inclusive ele, tinham limitações diferentes. Um, era paciente e meticuloso, o outro, era ágil e rápido; outro era sensível e perceptivo, outro, era talentoso nas artes, um era extremamente carinhoso e afetivo, outro, era engraçado e alegrava a todos, e assim por diante.

Percebeu que no grupo de pessoas especiais, não havia competição. Ela não fazia sentido. Todos tinham espaço e lugar para ser e existir com integridade. Quando alguém precisava de trabalho, os outros ajudavam a encontrar. Muitos trabalhavam em firmas que tem algumas vagas separadas para pessoas especiais. Outras pessoas que trabalhavam na limpeza, não tinham desenvolvido tanto a sua intelectualidade, mas sabiam muito sobre a natureza e haviam sido agricultores. Francisco percebeu o quanto havia sido ignorante. Pensou que pessoas simples como essas produziam seus alimentos e, mais recentemente, limpavam sua sujeira. Então, Francisco sentiu a sua miséria e que sua limitação era maior do que a de todas essas pessoas. Pois, era na alma, na sua essência, já que tinha se desvirtuado do que realmente importa por medo de ser humilhado por um sistema cruel e sem amor, onde a circunstância de uma prova ou de um conhecimento serve para elevar uns em glória e rebaixar outros ao descaso e à falta de cuidado, respeito e amor.

Então, Francisco decidiu que queria aprender a amar e a ser ele mesmo em essência e a estar alinhado aos valores do Criador. Decidiu dar valor a todas as pessoas, pois cada um é feito à imagem e semelhança do Criador e tem características, talentos e dons únicos. Mas o mais importante, cada um pode ser amoroso e decidir amar ao Criador e ao próximo como a si mesmo, com todas as capacidades que Ele deu, sejam elas mais ou menos limitadas nesse ou naquele aspecto. Cada um tem missões que só ele pode desempenhar no mundo, valorizem os outros homens ou não.

Decidiu que voltaria a estudar e trabalhar ajudando outras pessoas a desenvolverem seus potenciais. Hoje ele trabalha como educador e psicólogo de pessoas em situação de risco, ajudando-os a desenvolverem seus talentos, sem perderem de vista o mais importante: que nunca deixem de colocar o amor ao próximo em primeiro lugar. Afinal, um bom coração é mais importante que mil talentos e prêmios. Pois, a pessoa de bom coração usa seus talentos para benefício dos outros, para nunca rebaixar nenhum outro ser humano, para contribuir que todos tenham vida íntegra.

Mas, a pessoa que ainda não aprendeu a amar, desperdiça todos os seus talentos em um mundo que eleva uns e pisa nos outros, de acordo com valores exteriores e passageiros, como dinheiro, obras humanas, conquistas externas, para manter a si mesmo elevado.

E Francisco notou que se elevar e diminuir outros é idolatria, fazer de si ou de algo criado um deus. Mas só o Criador é Deus. E cabe às criaturas aprenderem o amor ao Criador e às outras criaturas. É isso que deu à vida de Francisco sentido e felicidade, o amor que redescobriu sem seu coração, em sua essência, no seu ser interior.





quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Cultivando o Respeito, a Calma e a Paz




Pedro e Maria eram dois irmãos adolescentes que se amavam muito. Viviam se divertindo e ajudavam um ao outro nas mais diferentes tarefas e desafios que passavam.

Certo dia frio de inverno, os irmãos estavam em casa. Pedro pediu para sua irmã Maria ligar o aquecedor, pois estava sentindo frio. Maria ligou o aquecedor.

Maria pensou: Seria legal hoje fazer um bolo para tomar com chá à tarde. Vou fazer aquele bolo que meu irmão adora. Ele vai ficar muito contente.

Maria começou a preparar o bolo, mas percebeu que um ingrediente estava faltando. Resolveu ir ao supermercado ao lado para comprá-lo. Já havia ligado o forno para preaquecê-lo. Então pensou: o forno está ligado e aqui em casa já está quentinho e vai ficar ainda mais. Foi até o quarto de seu irmão para perguntar se podia desligar o aquecedor. Mas, Pedro estava dormindo.

Então, Maria decidiu desligar o aquecimento da casa e foi até o supermercado buscar o ingrediente que faltava. Ficou contente pois conseguiu encontrá-lo e voltou logo para casa. Continuou preparando o bolo quando de repente.

- Pedro irado gritando apareceu na cozinha e disse: Eu já disse que estava com frio! E descontrolado disse coisas que machucaram os sentimentos de Maria. Pedro estava nervoso, com o coração acelerado. Em vez de se acalmar e pensar antes de falar e agir, foi dando espaço para a raiva.

Maria ficou quieta, muito embora por dentro se sentisse magoada. Sabia que conversar com uma pessoa que está fora de si não leva a nada bom, pois quando deixamos os impulsos nos governarem, ficamos descontrolados e podemos destruir as coisas mais importantes na vida: nossos relacionamentos de amor e amizade. Por isso, escolheu como prioridade cultivar a paz em seu lar, e fazer escolhas através do pensamento, não de fortes emoções, pois essas podem nos levar a conclusões enganosas. O mais importante é focar em como resolver os problemas que aparecem sem magoar ninguém nem causar dano.

Maria ficou um pouco triste e dolorida por dentro. Mas procurou focar em continuar seu bolo. Terminou de assar o bolo e preparou uma xícara de chá quentinho para levar para seu irmão.

Pedro, quando viu seu bolo favorito e o chá ficou envergonhado por sua atitude anterior. Agora que estava calmo, conseguia perceber que Maria o amava, e que sempre se importava com ele. Pensou: Ela jamais teria desligado o aquecedor se soubesse que eu ainda estava com frio. E Maria lhe disse: Me desculpe, achei que a casa já estava quente demais, e preocupada com os gastos de aquecimento, desliguei o aquecedor.

Pedro sorriu e disse: Muito obrigada. Pedro pensou: Como fui tolo. Por que não me acalmei e perguntei por que ela havia desligado o aquecedor? Não posso ficar bravo cada vez que as coisas não são do meu jeito. Afinal, quando há mais de uma pessoa em um lugar, as coisas não são só de uma maneira. Cada pessoa deve dar um passo em direção ao outro, saindo dos seus interesses para os interesses dos outros. Assim, construímos algo nosso. Nem tudo do meu jeito, nem tudo do jeito do outro. Eu me preocupo com o outro e o outro se preocupa comigo. E quando vier alguma dúvida ou algo que não gostamos, em vez de dar espaço para irritação, podemos manter o nível amoroso de conversar, e chegar a um acordo, tomando decisões conjuntamente.

Maria disse: Sabe, eu ia perguntar a você se podia desligar o aquecedor, mas você estava dormindo. Como já tinha aquecido por um tempo e o forno estava ligado, e a casa estava quentinha, resolvi desligar achando que faria um pouco de economia com os gastos. Me desculpe. Quando for assim e não tiver oportunidade de te perguntar, vou esperar até poder te consultar. Não quis te perturbar. Só quero sua felicidade e bem-estar sempre. Me desculpe.

Pedro disse: Eu sei. Me desculpe ter falado com você daquele jeito agressivo. Então, se abraçaram e comeram bolo com chá quentinho juntos e tiveram uma maravilhosa tarde.


terça-feira, 30 de novembro de 2021

Super-heróis do dia a dia

Em uma grande cidade morava um menino chamado Rodrigo. Ele queria ser muito valorizado, quase como um super-homem. Queria ser reconhecido e admirado por todos. Tudo o que fazia, todo o dinheiro que ganhava de seus pais e todos os seus esforços eram usados nesse sentido.

Rodrigo não conseguia perceber o valor dos serviços tidos como “menores” que aconteciam no seu dia a dia, pois eles não eram valorizados pelos adultos ao seu redor. Eles passavam pela sociedade quase desapercebidos, embora fossem essenciais e feitos com muito amor pelas pessoas em seu dia a dia.

Rodrigo queria algo que o fizesse ser bem-visto aos olhos de todos, afinal, queria ser valorizado, querido, apreciado. Quando ficava sabendo que um médico, por operar com sucesso seu paciente foi elogiado e que médicos eram valorizados, queria ser médico. Quando um empresário bem-sucedido recebia aplausos na televisão, queria ser empresário. Quando um banqueiro ficou famoso por emprestar dinheiro para uma grande quantidade de pessoas durante a crise, Rodrigo queria, então, ser banqueiro. Quando via um astro da música popular era aclamado pelos fãs, queria ser cantor. Quando um bombeiro foi bem-sucedido em fazer um resgate e saiu da capa da revista, Rodrigo queria ser bombeiro. Quando a foto de um juiz aparecia em todos os jornais, por ter ajudado a julgar um caso complicado, Rodrigo queria ser juiz. E assim por diante. 
Dessa forma, Rodrigo andava como uma onda, oscilando para cima e para baixo, sem saber quem ele era, o que era realmente importante para ele e quais eram os seus dons e talentos, ou seja, quais coisas tinha facilidade e gosto para realizar.
 
Certo dia, Rodrigo teve um sonho e nesse sonho todas os profissionais passavam por ele. 

O padeiro mostrava-lhe o pão que ele havia comido, o costureiro mostrava a roupa que ele estava usando, o farmacêutico mostrava o remédio que ele tinha tomado que ajudou ele a ser curado, o lixeiro, mostrava a cidade e os rios limpos, pois ele ajudou os papéis, metais, vidros, e plásticos a serem reciclados e o lixo orgânico a ser levado para os aterros sanitários que previnem o lixo de contaminar o solo. Tudo isso foi indispensável para sua saúde e bem-estar. 

O jardineiro lhe mostrou que, sem seu trabalho, não haveria um jardim bonito no parque, nem os animais passarinhos, patos, esquilos, etc, seriam atraídos ao parque, sem as plantas e árvores das quais ele cuidava. Sem a natureza, a cidade ficou só concreto … era muito triste. Além isso, o ar poluído não se renovava, pois não havia plantas e árvores para produzir oxigênio suficiente para o ser humano respirar bem. A vida na terra estaria ameaçada se o ser humano não cuidasse bem da natureza. 

O professor apareceu mostrando como ele e sociedade não conseguiriam resolver os problemas das diversas áreas por falta de conhecimento e sabedoria. A sociedade seria caótica, cheia de problemas mal ou não resolvidos. Tudo quebrado, tudo mal feito ou feito de modo a causar dano. As pessoas não tinham respeito, não sabiam conversar sobre as diferenças sem faltarem com o respeito, não controlavam suas emoções e o país explodiu em violência e as coisas não funcionavam. Então, haveria enorme número de desempregados, e o país precisaria importar profissionais estudados de outros países para saberem como resolver os problemas das diversas áreas de conhecimento (engenheiros, técnicos, enfermeiros, advogados, professores, psicólogos, assistentes sociais, operários de fábricas, artesãos, artistas, músicos, etc) e dos relacionamentos entre as pessoas. 

O sonho de Rodrigo lhe mostrou como seria a vida dele na cidade, sem um dos profissionais que hoje colaboram em suas funções. Tudo não ficava bem. Rodrigo percebeu que muitos dos profissionais existem para contribuírem para atenderem necessidades básicas dos seres humanos como comer, vestir, morar, transportar, se comunicar, ter higiene e boa saúde, etc. Esses profissionais podiam, aos olhos de alguns, passarem desapercebidos ou até erradamente serem considerados não tão importantes, mas eram, na verdade extremamente valiosos e essenciais. 

Em seu sonho, cada profissional aparecia a ele mostrando o fruto e importância do seu trabalho, onde o fruto do seu trabalho era indispensável para a vida dele. Rodrigo entendeu que todos os profissionais são importantes e fundamentais – e todos deveriam ser valorizados e serem pagos suficientemente bem para terem boa qualidade de vida, sem que nada essencial lhes faltasse. 

Também notou que todos eles têm dias difíceis e dias vitoriosos, mas nem sempre seu trabalho é reconhecido, embora tenha muito valor, valor indispensável para a sociedade. Sem o professor, as pessoas não poderiam aprender.. sem o agricultor, as pessoas não teriam nem frutas nem vegetais -tudo tem ciência – sem a tecelã e a costureira, não teríamos o que vestir; sem o construtor, não teríamos onde morar, e assim por diante. 
Mas pensou: então porque cada um deles não é valorizado e não ganha o suficiente para viver sem estar preocupado em pagar as contas ou se algo ira lhes faltar? Rodrigo refletia: "Todos estão colaborando para as necessidades humanas. O mais importante não é qual dom ou talento uma pessoa tem ou desenvolve, mas o amor com que ela usa seus talentos e dons...fazer para beneficiar a outros através de seu trabalho". 

Quando acordou, fez a pergunta a seu pai: "Pai, por que todos os profissionais que fazem bem seu trabalho não são valorizados? Por que alguns não ganham o suficiente para viverem sem se preocuparem se algo vai faltar ou se vão conseguir pagar as contas? ".
  "Esta é uma longa história" – respondeu o Pai. 
 E disse: - "Algumas pessoas querem ser mais valorizadas que as outras, ou terem mais dinheiro, reconhecimento ou poder. Então, elas diminuem o valor do serviço dos outros aos olhos da sociedade para elas mesmas ganharem mais, e com isso, ficarem mais ricas e influentes".
 "E os considerados “pequenos” profissionais não podem fazer nada?" - disse Rodrigo. "Eles tem sindicatos, mas os governos não dão muita atenção para eles, para que os grandes continuem tendo vantagens sobre eles"- respondeu o Pai. 
 "Mas, por quê? " "Acredito que algumas pessoas perdem a noção do que é mais importante no trabalho e na vida: beneficiar aos outros, por amor às pessoas. Então, elas se perdem e acabam fazendo esse tipo de injustiça, por que querem ser ricas ou poderosas ou aplaudidas pela sociedade. Mas há esperança filho! Há muitos trabalhadores que continuam fazendo seu trabalho por amor, beneficiando as pessoas, sem prejudicarem ninguém. Elas não desvalorizam os serviços dos quais se beneficiam todos os dias e são agradecidas a todos. 
Afinal, todos somos interdependentes e precisamos de muitas coisas e serviços uns dos outros para sobrevivermos e termos boa qualidade de vida.
 Muitas pessoas nos ajudam todos os dias, mesmo que não as vejamos. Por exemplo, os profissionais que estão tratando a água para que possamos tomar um banho limpo ou beber água potável. Raramente vemos esses profissionais. Mas eles estão trabalhando para nós". 
 Nós devemos ser agradecidos e lembrar que o trabalho de cada profissional exige esforço, conhecimento e dedicação, e que ele nos beneficia todos os dias. 
Assim como gostaríamos que outros não desvalorizassem nosso trabalho, não devemos nunca desvalorizar o trabalho dos outros. Pois, somos beneficiados por eles todos os dias, mesmo que alguns não nos valorizem. Todo serviço correto que ajuda a suprir as necessidades básicas humanas, tem muito valor, principalmente se for feito com amor no coração, gerando somente benefício à sociedade. 

Rodrigo disse ao Pai: "Pai, de agora em diante vou ser muito mais agradecido a cada um deles. E vou contar aos meus colegas que todos são tão importantes que não podemos viver bem sem o serviço que eles fazem. Assim, mais pessoas não vão aceitar que eles sejam desvalorizados ou não tenham boas condições de salário e vida".
"Boa ideia, filho. Vou procurar elogiá-los mais e ser mais agradecido a eles também. Afinal, você pode imaginar quanto trabalho teríamos que fazer sozinhos se eles não existissem? Nenhum de nós conseguiria viver bem. A sociedade é feita de cooperação, respeito e valorização mútua. E todos tem dons e talentos únicos para colaborarem nessa rede cooperativa."

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Focar em viver os Valores Éticos é essencial para uma Vida Construtiva e Feliz

 

imagem cedida por geralt em pixabay.com

Como devemos usar nosso tempo? Temos nesse mundo uma série de obrigações com respeito ao cuidado e sustento do nosso corpo, com vistas a suprir nossas necessidades materiais. 
No entanto, o mais importante não deve ser nunca perdido de foco: o amor e cuidado uns dos outros, mas não somente acerca das necessidades materiais, também das espirituais e emocionais. 
Servir uns aos outros, ajudar uns aos outros a sermos a cada dia mais amorosos e justos, é sempre o que dá sentido à vida: o amar e o colaborar para que o outro ame e se desenvolva e dê frutos de amor e justiça cada dia mais.

    Sem o mais importante, a vida fica sem sentido, já que não é o propósito de nossa vida neste mundo somente manter nosso corpo saudável e em bom funcionamento. Nossa boa saúde nos ajuda a servir melhor às outras pessoas nesse mundo, nos doarmos mais em amor no serviço ao próximo, com todos os nossos dons, talentos, condições materiais e também espiritual e emocionalmente.

Quando o foco da vida está em amar ao Criador de todo o coração, ou seja, amar ao próximo como a si mesmo, tudo que somos e temos dedicamos ao serviço do estabelecimento dos valores éticos (amor e justiça) no nosso e no coração das outras pessoas.

Alguém que cozinha ajuda a alimentar outras pessoas, amando-as e desejando que, com aquela necessidade suprida, o outro possa melhor dar de si para o Criador ele mesmo, servindo ao próximo em amor. O que costura ajuda a proteger o corpo do frio, e assim as pessoas podem servir melhor a Ele. Outros ajudam a construir as casas de que necessitamos para morar. Entretanto, só há sentido em cada pequena ou grande contribuição material se o coração de quem faz, se doa na intenção do benefício alheio em todas as esferas de seu ser. Quando somente conquistamos o sustento material, sem nos doarmos em amor para benefício do próximo, então parece que não há sentido no que fazemos.

Por outro lado, o mundo nos pressiona a excessivamente nos concentrar em consumir mais e mais produtos, a querer mais e mais coisas materiais, várias delas desnecessárias ou que não nos beneficiam. O amor de alguns ao dinheiro e o vício da ganância, aumenta a jornada de trabalho cada vez mais para ganhar o mesmo ou menos, muito embora o auxílio das máquinas deveria nos levar a ter mais tempo livre. Mas, a ganância do ser humano pode substituir o trabalho humano cada vez mais pelas máquinas e não se importar com a perda de emprego de seus funcionários e desalento de suas famílias.

Paralelamente, a internet e a enorme gama de notícias, informações e conhecimento disponíveis acerca de todo o mundo pode absorver o tempo e tirar o foco do mais importante e que está ao alcance de nossas possibilidades ajudar ou fazer: o cuidado e serviço de nossos familiares e dos que estão ao nosso redor que desejam nossa contribuição em suas vidas. É necessário investir tempo para os relacionamentos, para acolher o próximo, para compartilhar o que temos vivenciado e aprendido, e assim, crescermos juntos na direção de sermos mais amorosos e justos e conseguirmos juntos realizar maior contribuição para um mundo melhor. De outro modo, para onde estamos correndo e para quê? Todos os conhecimentos humanos construídos até hoje não foram nem serão suficientes para tirar o ser humano da insensatez e da destruição. Mas, escolher o amor e a retidão, faz-nos capazes de usar sabedoria os recursos que temos, a natureza e os conhecimentos parciais dos seres humanos.

O mundo realmente evoluído espiritualmente, não é onde todos cuidam só em salvar a si mesmos. Mas, o mundo onde os menos favorecidos, os menos preparados, também tem lugar e oportunidades para se desenvolverem. Que culpa as crianças e jovens têm da formação que lhes foi dada ou negligenciada? Cabe a sociedade suprir as lacunas para que aquela vida se desenvolva construtivamente.

No mundo evoluído, não há vitória individual, enquanto outros sofrem sem poder ter oportunidades de trabalhar e se sustentar, e assim ter vida digna. No bom coração, não espaço para não se importar com as carências e necessidades do próximo. Não há evolução sem responsabilidade social, onde cada um cuida somente em salvar a si mesmo. Pois, todos tem capacidades, dons e talentos, que podem ser desenvolvidos e treinados, fortalecidos e praticados em oportunidades de trabalho na sociedade. E com o trabalho, vem as demais construções da vida: casamento e família. Mas não só com trabalho, com trabalho sem explorar ninguém, com dignidade, sem passar por cima dos valores éticos que resumem o amor e a justiça. De outro modo, o sentido novamente se perde, e aí se perde tudo: o relacionamento saudável, as interações, nada pode ser verdadeiramente construído deixando amor e retidão de lado. Tudo que é construído fora desse foco, não permanece, é ilusão, perda de tempo. Com o tempo, perecerá.

Quando as pessoas se acomodam em não ajudarem uns aos outros porque o sistema é opressivo demais, ou, porque governantes são corruptos, então, já desistiram da vida significativa. É preciso que cada um faça sua parte no semear de um país e um mundo mais solidário. É preciso decidir não se calar diante da opressão do nosso próximo. É preciso dizer não! Não vamos vender, nem negociar valores éticos. Sim, vamos pedir ajudar internacional, se necessário. Mas sobretudo ao Criador, e fazer a parte que está em nosso poder. Vamos viver em um mundo onde nossas ações possam ser sempre de amor e de retidão, e nunca enganar, manipular, destratar, desrespeitar, muito menos, tirar vantagem para sobreviver. Esse tipo de sobrevivência não faz sentido. Além de que tudo que danificamos será necessário assumir a responsabilidade em reparar, cedo ou tarde. O ser humano é feliz quando está amando e servindo verdadeiramente ao próximo, ajudando-o, contribuindo para algo que realmente o beneficia, tanto materialmente quanto espiritualmente. Quem tentar enganar ao próximo, na verdade, está se iludindo, enganando a si mesmo.

É preciso acreditar que mesmo seres humanos pequenos, mesmo indivíduos simples e sem poder, fazem a cada momento a diferença entre o justo e o injusto, o amor e a indiferença ou a exploração. Em cada momento, podemos interagir fazendo o bem e construtivo, ou causando dor e sofrimento. Está na esfera de decisão de cada um ser coerente ou não com o que chama amor e retidão.

É possível criar redes de cooperação e solidariedade para mútua ajuda. É possível denunciar e fiscalizar qualquer corrupção, seja nas leis, no tratamento de recursos ou na ação. É preciso acreditar que há um Criador que é maior que um sistema opressor, como foi maior para os hebreus quando os tirou das mãos daqueles egípcios que eram mais fortes do que eles.

É preciso acreditar que está seguro aquele que não abre mão de sua integridade, do amor e da retidão. E que os corruptos, os ladrões, os que exploram os trabalhadores, não terão bom futuro caso não se arrependam, pois, o Criador assim promete em Sua Bíblia. É questão de tempo. É questão de escolher os valores e não abrir mão por nada. E não ter medo de nada, a não ser de largar mão deles, pois, eles são o sentido: ser amoroso e ser justo. Os que se afastam desses valores, cedo ou tarde cairão sem retorno. Não percamos tempo! Fé e coragem para fazer uso do tempo em serviço ao próximo, com amor e justiça!

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Onde está o amor?

 

O amor brota no anseio do desenvolvimento do outro

Nasce no anseio por sua frutificação

Concretiza-se na ajuda nessa direção.


O amor se estabelece, primeiramente, no pensamento

É uma escolha a ser reiterada a cada momento

Um querer bem que à outra alma aproxima

Uma decisão de abrigá-la dentro de si

em uma atitude que reconhece seu pertencimento

à rede de cooperação entre os seres chamada Criação;


O amor acolhe e acaricia o outro ser no coração

dando-lhe respeito e consideração

da dignidade intrínseca de cada ser

formado pela fonte de bondade, o Criador.


O amor empresta o coração para sentir e pensar no lugar do outro,

como se um só fosse

Decide agir em prol e acolhe em aceitação, mesmo com toda sua imperfeição

Concede a confirmação do seu direito ao desenvolvimento e ao amadurecimento.


O amor é amigo, espera e reza pelo crescimento do outro.

Silencia-se quando não há abertura do seu amado para receber ajuda.

Aguarda com esperança em oração ao Criador.

Acolhe conforme a necessidade,

sem no entanto, dar suporte ao erro.

Aguarda o momento de semear, evitando magoar.

Consola o ferido, espera seu tempo,

de acordo com sua maturidade e caminho contribui,

se houver chance dele ganhar entendimento.


O amor não julga a outra pessoa,

embora enxergue e pese suas atitudes,

e perceba quer sejam positivas ou negativas,

construtivas ou destrutivas.

Aguarda o certo momento,

onde possa haver crescimento

para com carinho compartilhar,

o que possa gerar maior entendimento,

futuros discernimentos e boas decisões,

que tragam boas consequências e felicidade.


O amor também é humilde,

embora seja doação por definição,

dá ao outro o mesmo gosto de realizar esse preceito,

recebe instrução e ajuda,

busca melhorar para poder a outros mais beneficiar

Pois todos seres criados são limitados e necessitados

de sabedoria.

Mas quem quer amar aceita reconhecer suas lacunas e

falhas, para se doar com maior perfeição,

trazendo mais excelente benefício a outrem,

ao amigo com quem interage,

e assim ver sua felicidade e se alegrar

com seus benefícios.

Querer ser melhor para toda a humanidade

é amor de verdade

pois a justiça não está na parcialidade,

e o amor e a justiça andam de mãos dadas

para beneficiar em serviço ao próximo,

e sem acrescentar qualquer dano ou destruição.

Buscar amar é aprender a bondade na prática de cada situação

para não causar a ninguém tristeza, nem dor nem sofrimento,

nem prejuízo de espécie alguma.

Sem cuidar, não há amar, e amar é se importar

É também se responsabilizar e agir em benefício,

naquilo que cabe a cada um em sua influência,

conforme seu poder, capacidades, talentos

e oportunidades.




Quando Nossa Educação Deseduca

  A nossa educação deseduca sempre que ensinamos conhecimentos, sem instruir os valores éticos que devem dirigi-los. A nossa educação ...