terça-feira, 13 de julho de 2021

Educação é Reflexo da Prática dos Valores Éticos e Responsabilidade Social

 


Acredito em uma educação onde a liberdade e o respeito ao indivíduo e seu desenvolvimento devem ser prioritários. Certamente é importante que as pessoas sejam alfabetizadas nas diferentes áreas do saber para que o indivíduo consiga participar ativamente do debate e das decisões da sociedade e do país em que vive. Mas, será que a população participa das decisões do país? Deveria, segundo os princípios constitucionais embasados na democracia. Democracia é o regime político onde os políticos deveriam expressar em suas atuações as vontades do povo que os representa.

Na minha percepção, a democracia no Brasil, em certos aspectos, não é ainda uma realidade do ponto de vista prático. Acredito que o povo não está a favor de jornadas estendidas de trabalho, da exploração do menos favorecido, da indiferença às necessidades da população, da desvalorização das profissões que não usam somente o intelecto, como as de agricultor, jardineiro, técnico em saneamento básico, lixeiro, etc.

Parece que a estrutura dos interesses de alguns grandes proprietários de terra, alguns políticos e alguns dos que concentram grande quantidade de riquezas acabam sempre oprimindo os trabalhadores que não possuem bens materiais. Assim, o país vem se perpetuando em oprimir o pequeno em prol do grande. Também ocorre com o professor, com suas precárias condições de trabalho, salários e da forma desrespeitosa como o governo trata o professor, principalmente no primário e secundário.

Tudo indica que os interesses de lucro dos grandes e poderosos continuam condenando os mais simples à vida sem dignidade, sem respeito, com angústia para pagar as contas, talvez, até com dívidas ou ameaçada pela falta de dinheiro. Não há consideração, as pessoas temem não conseguir sobreviver ou não terem uma qualidade de vida razoável.

O Brasil é um país em que o medo da exclusão social ou de viver em situações precárias é cada vez maior para pessoas capazes e com bom nível de estudo. As pessoas são oprimidas por um sistema onde o dinheiro e o lucro de alguns faz a vida ser miserável e penosa para grande parte do povo. Como eles fazem isso? Fazendo a maioria do povo trabalhar duro e por grande parte de tempo e produzir cada vez mais, sem remunerar de maneira digna e respeitosa, de modo que o sujeito e sua família temem não dar conta dos custos básicos da vida. O governo não põe limite nos abusos de como as empresas tratam funcionários e até clientes, pois ele mesmo maltrata sua população.

São os filhos dos trabalhadores explorados e sofridos que lutam para sobreviver no dia a dia e não tem tempo para seus filhos, que vem à escola pública brasileira. Nessa escola, a criança é cada vez mais exigida a conhecer a história do conhecimento humano e dominar as ferramentas básicas de cada disciplina.

Esse indivíduo em crise, que quase não vê seus pais (pois estão trabalhando, às vezes, em jornada dupla, ou com dois trabalhos, ou com um dos pais desempregados) e, quando os encontra testemunha sua batalha e angústia, que vem à escola. É requerido dele que tenha “cabeça” para aprender diante dos problemas que está inserido no seu lar e na sociedade. Na escola, são apresentados sistemas e conhecimentos que teoricamente “funcionam”, como se tudo estivesse bem, mas lá fora, tudo está mal. A sensação da criança ou indivíduo é, portanto, de que a escola é uma mentira. Pois, a realidade é a que ela vê todos os dias em seu lar, em sua vizinhança. Na sua frente, ela vê um professor que ela sabe que é explorado e maltratado pelo governo. Se o governo trata mal o professor, porque a criança lhe trataria bem e lhe daria ouvidos? O professor não é suficientemente valorizado para conseguir dar as suas aulas em paz, sem ficar preocupado com as contas que tem que pagar e estressado com sua carga de tarefas.

A criança, quando pequena, pode ser enganada, achando que a vida é como os desenhos animados que ela encontra na televisão. Mas, depois que cresce um pouco e os problemas antes encobertos pelos adultos são revelados, a escola não faz nenhum sentido.

Outro problema é que talvez essa criança não seja escutada por ninguém. Em casa, os pais não têm tempo. Na escola, os professores também não têm tempo de acompanhar o desenvolvimento e o crescimento de nenhum aluno. São aproximadamente quarenta em cada classe. A indisciplina e falta de respeito com o professor é enorme. Em certas escolas, o professor não conseguirá nem iniciar sua aula, pois os alunos conversam alto e o ignoram. O professor vai de uma classe à outra o dia inteiro. Quando chega em casa tem que corrigir lições de casa e provas, e preparar as aulas do dia seguinte.

Então, é possível que algumas dessas crianças e adolescentes para os quais a escola é uma mentira, também não queiram ouvir o governo que oprime ou deixa oprimir seus pais e professores, representada por eles. O aluno não é ouvido. Se tiver um psicólogo, coordenador ou diretor na escola é algo positivo. Às vezes eles estão no segundo emprego, às vezes, sei lá onde. Em resumo, muitas vezes não estão lá quando se precisa. E bedéis? Quando existem, talvez estejam tentando conter a revolta, o uso de droga, etc, e outros problemas. Talvez estejam no seu segundo emprego ou bico também, para conseguir completar o pagamento de suas contas. Talvez tenham sido ameaçados de morte por alguns alunos. Talvez estejam com depressão, por trabalhar em um sistema de contenção de alunos e saber que não estão se desenvolvendo como deveriam....

Quando o professor consegue conter um pouco da indisciplina, apresenta o conteúdo e exige o conhecimento. Alguém perguntou ao aluno o que ele gostaria de aprender? Será que ele sabe para que serve? Qual a relação dos conteúdos com as necessidades humanas? Não. Tudo é geralmente alheio a seu mundo e teórico. Ele é exigido, exigido, e está sempre devendo. Desde que saiu do jardim de infância até o fim do segundo grau, mais, mais, tem que passar de ano, tem que tirar diploma. Para que? Para ter emprego. Por que? Porque todos têm que ter diploma escolar para conseguir emprego.

Diante desse quadro, gostaria de apresentar aqui uma outra proposta de educação. Uma proposta onde a educação seja centrada nas necessidades humanas. Onde o ser humano, não seja respondido com respostas como: “nossa sociedade é assim”. Mas pense, junto com o professor, como o ser humano tem lidado com a natureza e uns com os outros, para ter suas necessidades básicas atendidas. É necessário que através do diálogo que relaciona o mundo real e os conhecimentos, os problemas reais da sociedade sejam trazidos e as soluções que vem sido tomadas e suas consequências sejam avaliadas, em seus aspectos positivos e negativos.

É necessário que o indivíduo entenda como a sociedade atual tem resolvido seus problemas para sanar suas necessidades básicas e quais são as diferentes possibilidades de resolução que se encontram hoje no mundo. A educação deve ser um convite à participação do conhecimento elaborado, mas não somente isso. Esse conhecimento deve ser problematizado e dialogado (de acordo com Paulo Freire1). Mas, essa análise deve ser feita em termos do quê? Compreender os conhecimentos desenvolvidos e as necessidades humanas a eles relacionadas. Pesar a possível aplicação dos conhecimentos à realidade prática e suas consequências à luz dos valores éticos que a sociedade escolheu viver. Se a educação elaborada no nosso país é estudada para obter empregos mais bem pagos, ela não vai fazer sentido, principalmente se o profissional, para isso, tiver que corromper os valores éticos nos quais acredita, em prol do status quo de uma sociedade que concentra renda nos mais favorecidos e não se responsabiliza do cuidado dos mais fragilizados a ponto de sanar suas carências e resolvê-las.

Informação por informação, o conhecimento elaborado não faz sentido, ao menos que ele esteja submetido aos valores éticos que realmente construam uma sociedade que se importa com o próximo, não uma que explora e exclui às margens os que nela não se ajustam. Também conhecimento sem compreender para que serve em relação às necessidades humanas e da natureza, também não faz nenhum sentido. Elaborar sem saber para que, como se usa na prática e se está de acordo com os princípios éticos é muito vazio e destituído de sentido. Aliás, a alienação da natureza e a não compreensão da relação das tecnologias com ela e com as necessidades humanas, também não faz sentido. O ser humano necessita do contato com a natureza. Privá-la desse direito e necessidade humana é, no meu ponto de vista, um grande crime. O ser humano deve estar em harmonia com a natureza e com os outros seres humanos, para que haja uma sociedade em que há paz e construção. Teorização sem a natureza provoca alienação elaborada.

Todas as pessoas têm diferentes potenciais e talentos, e podem ser treinados seja no que for, para terem suas profissões e através delas colaborarem com a sociedade. A exclusão social não se justifica. Todos, com gravíssimas exceções, são capazes de colaborar para a sociedade de acordo com suas capacidades e talentos e serem remunerados dignamente para tal. O direito de todo ser humano ao trabalho que provê vida digna deve ser protegido (e os que não podem trabalhar devem ser supridos em suas necessidades pelo governo e colaborar à sociedade da maneira que lhes é possível).

Mas, quem está ajudando o aluno a descobrir a si mesmo e seus talentos, e a saber como pode ser através deles alguém atuante para construir uma sociedade cooperativa e que respeita e valoriza um ao outro, em vez de deixá-lo sozinho, “na mão”? Quantas pessoas hoje estão trabalhando informalmente ou em bicos, pois, embora tenham estudado, a sociedade não está provendo condições para elas exercerem seus potenciais em completude? E se não está, por que não está? Qual é o foco dessa crise e como saná-la? Ignorar as alarmantes questões da sociedade e dos pais das crianças em idade escolar, é ignorar a criança e seu próprio futuro.

O objetivo da escola deveria ser ajudar o aluno a se conhecer e descobrir seus talentos e dons, para que se desenvolva autenticamente e nas suas relações com o próximo. Isso conjuntamente com o conhecimento sobre a natureza e o ser humano e suas necessidades, deve propiciar que ele consiga, aos poucos, vislumbrar como ele pode cooperar e ajudar aos outros através do comportamento ético e conhecimentos adquiridos, conforme esses dons, talentos e sua missão específica.

O que a criança recebe são exigências, exigências, e mais exigências, Como ela se verá como alguém que faz parte da construção social? E se ela não faz parte, então ela buscará achar aonde ela faça parte e seja bem tratada e valorizada. E talvez seus líderes não a guiem em um caminho justo e feliz, e só a usem para seus próprios interesses. Talvez até ela se corrompa, porque a política da indiferença não é aceitável. Ela abandona as pessoas carentes de direção e experiência.

Afinal, para que serve a educação escolar pública? Para dar merenda? Para alguém estar com as crianças ou adolescentes enquanto seus pais trabalham? Para uma criança influenciar a outra, e todos estarem sem direção para resolverem suas vidas e a vida de suas famílias? Vejo essa criança sozinha e muito exigida, e ela geralmente não sabe para que e por quê. Para agradar os pais? Para receber o diploma? Talvez o sistema de educação seja um grande desrespeito às necessidades das crianças e suas famílias. Se a escola representa os valores do governo em mercadejar tudo e não tomar responsabilidade pelo seu povo, e os valores éticos forem todos vendidos, não há sentido em nada. Esse é o caos do contexto da criança e adolescente em idade escolar no Brasil hoje. Talvez haja exceções. Mas, isso é natural, porque os problemas dos pais naturalmente afetam os filhos e o lar.

A sociedade diz ao jovem que ele está em um lugar onde não há respeito, consideração, nem cuidado com as pessoas e suas necessidades. A sociedade diz ao jovem que seus rios são poluídos pelas empresas e empresários sem consideração com a população. A sociedade diz ao jovem que há corrupção para todos os lados, no governo, nas empresas. O egoísmo e corrupção reinam em diversas instituições da sociedade, pois não se põe limite na injustiça, no maltrato e na opressão. A sociedade diz ao jovem que todos estão competindo e preocupados em salvar a si mesmos, em um sistema individualista em que raramente um ajuda o outro a se desenvolver.

A sociedade diz ao jovem que vivemos com medo dos bandidos, que são, cada vez, em número maior. A sociedade expõe a criança à nudez, sensualidade e imoralidade pelos veículos de publicidade, imprimindo terríveis valores materialistas, vaidade e imoralidade. E o país é um salva-se quem puder, onde os poderosos e ricos oprimem os pequenos. Ninguém acredita em políticos e todos estão sozinhos. Ou seja, o número de problemas que estamos delegando a esses jovens é enorme, e consequentemente, seu sofrimento.

Mas, porque estão sozinhos? Por que não cooperamos? Por que cedemos ao egoísmo? Por que um sistema competitivo e desumano foi se estabelecendo com cada vez mais força, oprimindo os trabalhadores e desvalorizando-os? Mas, se todas as profissões são importantes e todos precisam dos trabalhadores braçais e os intelectuais, por que um vive com dignidade e outro não? Às vezes os oprimidos cansam e se deixam seduzir por propostas ilícitas como narcotráfico ou outros sistemas imorais de lucro. Aí eles morrem, golpeiam ou matam, por dinheiro, ou para não serem humilhados, o que, no entanto, não é um caminho justificável. Mas, não acreditam em um sistema que o abandonou, e às vezes têm dificuldade em encontrar outra solução em seu mundo de problemas reais.

O indivíduo está sozinho desde criança. Não há condições para seu desenvolvimento saudável, para sua participação, por consideração à sua pessoa como um novo contribuinte e integrante da sociedade. Ele é exigido, exigido, tirar notas, passar, passar. Está sempre devendo. É “workaholic”, ou melhor “sobrecarregado em estudos e trabalho desde a infância, numa sociedade que explora e não cuida”. Pois, os conteúdos e assuntos são infinitos e pouco digeridos em seu contexto real. Não é a quantidade, mas a qualidade de reflexão e contextualização com a vida real do aluno e da sociedade que torna frutífero e motivador o estudo vinculado à resolução de problemas para a construção de um mundo melhor. Aí entra o estímulo ao aluno a se conhecer e a seus talentos, para compreender no que tem dons e facilidades para colaborar socialmente nessa construção.

E o aluno: Quem ele é? Quais são seus talentos? Como pode ajudar a sociedade? Ele não sabe. Por quê? Porque a sociedade não dialogou, não ensinou para a vida prática, não transmitiu valores éticos como prioridade. Não teve tempo para saber. Encheram o tempo dele com um conteúdo infinito e que muitas vezes mentiroso e hipócrita, pois finge que há uma sociedade que funciona, enquanto a verdade é que a cooperação e a sociedade se convergiram para um egocentrismo em função do dinheiro e da capitalização dos maiores e sofrimento dos menores. Deveria ele confiar nas pessoas que dão suporte a um sistema como esse? O bom-senso responderia: “não”.

Em resumo, é necessário uma educação em que os conhecimentos estejam em função dos valores éticos para construção de uma sociedade íntegra. Conhecimentos devem responder às questões dos alunos de como o ser humano tem suprido suas necessidades básicas (dentre as quais o psicólogo Marshall Rosenberg cita as necessidades de: autonomia, interdependência, integridade, nutrição (atrelada à segurança), brincar, celebrar e ter comunhão espiritual2) e por que aqueles conhecimentos foram desenvolvidos, quais suas consequências positivas e negativas.

Em nossa sociedade, a tecnologia e o conhecimento, por vezes, tem sido usados sem serem pesadas em seu impacto na sociedade. Por isso, é muito importante recolocar a importância e centralidade da prática dos valores éticos na sociedade, do respeito, da valorização mútua, da cooperação, da solidariedade e ajuda mútua. E isso se concretiza através de uma comunidade na escola e fora da escola que se mobiliza para cuidar e ajudar de suas necessidades, com o suporte do governo. São necessários um governo e uma atuação social responsável uns para com os outros. São necessárias escola, comunidade e sociedade atuantes, que pratiquem e cultivem os valores éticos: o respeito, a consideração, a solidariedade, a cooperação e ajuda mútua.

Alguns exemplos de como os valores éticos são transgredidos são, por exemplo: como as empresas e governo tratam seus empregados, como o governo não evita a poluição dos rios nem a devastação das nossas florestas, como os bueiros das ruas estão cheios de lixo por falta de colaboração da população com o trabalho do lixeiro, como as companhias telefônicas e serviços tratam o consumidor e com tarifas cada vez mais exploratórios, sem que se coloque limite nos abusos. Enfim, um desrespeita o que é do outro e a natureza… o egoísmo e venda de valores éticos em prol do dinheiro reinam. Como então falar em educação nesse contexto para os mais novos, se a desmoralização está por toda parte que eles interagem? Não se pode ser educador de valores éticos se nossa vida prática enquanto indivíduos, profissionais e sociedade evidenciam o contrário, seja por que razão for. As crianças e adolescentes são inteligentes e perceptivos o bastante para notarem todas as incongruências entre o que se diz e o que se vive.

O conhecimento deve servir para ajudar as pessoas a participarem das decisões políticas através dos seus representantes (com relação às necessidades humanas básicas na sociedade), cobrando sua atuação e não votando naqueles que não os representaram adequadamente. O sistema político deve ter meios acessíveis de participação popular, para que as pessoas voltem a acreditar na política e no país, e que elas efetivamente façam parte da construção do país, para aplicação dos valores éticos e conhecimentos que deveriam aprender também na escola. Mas, se o sistema é corrompido, se não há condições de seus professores se sustentarem dignamente e o conhecimento é usado para lucro individual em detrimento da maioria, essa escola não faz sentido para o aluno. Ela não é uma tutora honesta da realidade que ajuda a desenvolver para a vida e luta por princípios éticos, não na perpetuação da opressão e desrespeito ao povo.

1Freire, P. A Pedagogia do Oprimido; Freire, P. Pedagogy of the Heart. Ed. Bloombury (Great Britain).

2Rosenberg, M. B. We can Work it Out – Resolving Conflicts Peacefully and Powerfully. Rosenberg. M.B. Comunicação Não-Violenta. Editora Ágora.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Sem imparcialidade não é possível uma Sociedade ser justa

    Um obstáculo importante para uma sociedade ser justa é praticar o valor ético da imparcialidade. 

    Mas no que consiste esse valor ético?

   Ser imparcial consiste em avaliar ou julgar atitudes ou ações pelos mesmos critérios e valores éticos, sem dar preferência a certas partes, partidos, grupos ou indivíduos.

    Todos podemos apreciar esse ou aquele grupo, se identificar mais com essa ou aquele grupo ou mentalidade, conjunto de habilidades, etc. Apesar de preferir estar nessa ou naquela companhia, ou ter mais afinidade com esse ou aquele grupo, na hora de avaliar ou julgar um comportamento, não podemos dar preferência no nosso julgamento aos grupos ou indivíduos dos quais somos mais próximos, ou àqueles com quem temos afinidade, ou ao que nos é familiar, ou aquele que nos dá maior lucro ou favorece interesses pessoais nossas ou de outras partes. 

    Não é ético dar preferência ao que é meu, ou ao que me beneficia. Então, como é o julgamento ético? O julgamento ético é baseado nos mesmos valores e critérios para com todos, sem diferença entre pessoas, por pertencer a esse ou essa família ou grupo. O compromisso maior deve ser com os valores éticos, não com pessoas. De outro modo cairíamos no favorecimento de essa ou aquela pessoa, transgredindo os valores da ética a qual deveríamos ser comprometidos. O que realmente beneficia as pessoas e a sociedade é que ajudemos uns aos outros a andarem conforme os valores éticos tais como: não usar dois pesos e duas medidas, ou seja, não usar de um critério para com certas pessoas, e outro critério para outras pessoas.

    Todo indivíduo é alguém diferente, com diferente essência (alma), diferentes e únicas características. Todos temos igual valor para o Criador que nos fez. Os mesmos critérios ou valores éticos devem ser aplicados na avaliações das pessoas, sem exercer preferência por um ou outro, mesmo que o outro seja mais próximo a nós afetivamente, economicamente, socialmente, religiosamente, ou em qualquer outra esfera humana de relacionamentos interpessoais, grupais ou sociais.



 “Não serás parcial no julgamento; ouvirás assim o pequeno como o grande. Não temas homem algum porque o julgamento é de Deus” (Deuteronômio 1:17). 

Não torcerás o juízo, não mostrarás parcialidade nem tomarás suborno, porque o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Deuteronômio 16:19). 

Não farás injustiça no juízo, não favorecerás o pobre ou demonstrarás deferência ao rico; com justiça julgará o teu próximo” (Levítico 19:16).

    Entretanto, há situações desfavoráveis e frágeis, em que qualquer pessoa precisa de ajuda. A sociedade deve, então, ajudar toda pessoa que se encontre nessas situações vulneráveis, de modo a que tenham direito de viver em dignidade e ser parte  ativa da sociedade, superando suas dificuldades que, na ausência de ajuda, poderiam levar essas pessoas à condição de risco. Qualquer pessoa,  quando se encontra em condição desfavorável ou frágil, frente a sociedade, deve receber ajuda para superar suas maiores dificuldades. Essa ajuda deve ser a mesma, sem distinção entre pessoas, mas igualmente dada a qualquer pessoa que se encontre nessa situação. Essas são as condições dos estrangeiros, das viúvas, dos pobres e dos órfãos (Deuteronômio 10:18-19; 24:20-21; Levítico 19:9-10; Êxodo 22:21-22).

    Deve haver um cuidado especial na proteção daquele que se encontra em situação mais frágil ou desfavorável:  com o estrangeiro, com o órfão e da viúva (Êxodo 22/21-22 e Deuteronômio 10/18-19), com o pobre (as sobras da colheita deveriam ser deixadas para o pobre, o estrangeiro, o órfão e a viúva (Levítico 19/9-10 e Deuteronômio 24/20-21).

    Devemos lembrar de que não recebemos igualmente a todas as pessoas, temos recebido conforme o lar, contexto, e sociedade em que nascemos. Se nós como sociedade não estamos dando plenas condições de desenvolvimento de uma pessoa, devemos providenciar conserto, de modo a suprir as necessidades dela, para que seja alguém plenamente capaz, inserido e participante na sociedade no exercício do seus dons e talentos. Ser responsável socialmente implica em sermos comprometidos em ajudar uns aos outros em suprir aquilo que nos foi privado, tanto pela sociedade quanto pela família, sanando as brechas que causam dano ao indivíduo, e consequentemente, à sociedade. 

    O individualismo opera contra a responsabilidade social. O governo e sociedade devem zelar pela educação e formação do indivíduo. A responsabilidade social exige que se nós como sociedade causamos dano a um indivíduo, cabe a nós, ajudarmos no conserto, na mesma intensidade do dano anteriormente causado (Êxodo 21:24; 22);

    Para sermos imparciais devemos investigar, interrogar as pessoas e partes envolvidas da mesma maneira, sem diferença.

    Não se pode tirar de nenhum ser humano os instrumentos básicos necessários à sua subsistência ou exercício profissional, independente quem seja esse ser humano (Deuteronômio {Devarim} 24:6).

    Não se pode condenar os filhos pelos pecados dos pais, nem os pais pelos dos filhos (se esses já atingiram sua idade de responsabilidade por si mesmo) (Deuteronômio {Devarim} 24:16). Cabe à sociedade cuidar para que os jovens recebam boas instruções para viver, de modo a poderem tomar responsabilidade por si mesmos e ter consciência dos valores que adotaram para a vida e a relação das atitudes com esses.

    Não se pode fraudar pesos ou medidas (Levítico {Vaykra} 19:35-36, Deuteronômio {Devarim} 25:13-15). A balança antiga (vide figura) costumava pesar as coisas de um lado da balança com a referência de um peso de massa conhecida, do outro lado. Se houvesse mudança do peso de medida (de referência ao pesar dos demais), todas a medida estaria alterada. Da mesma forma é a parcialidade: altera o peso da medida de referência, ou, analogamente, adultera os valores éticos (que são os padrões com os quais medimos as ações humanas), conforme o  freguês que vai pesar. Assim, a parcialidade pesa um de uma maneira, e outra pessoa, de outra maneira, com uma outra medida ou peso. 

    A parcialidade é uma  forma de corrupção muito comum e assim como as outras injustiças está enraizada na ausência de crença de que ser justo e andar em retidão é o caminho mais abençoador na vida (apesar da corrupção das outras pessoas, o que escolhe viver em justiça e amor, escolhe a vida), assim como está escrito na Bíblia Hebraica, que afirma:


"Quem anda em integridade habita em segurança"- Provérbios 10:9

"O Eterno é o Meu Pastor, nada me faltará" (Quem anda no caminho guiado pelo Eterno não tem falta de nada) - Salmos 23:1

"O justo pela sua fé viverá"  (a justiça vem do que exercita a fé no Criador) -Habacuque (Habakuk)  2:4

    
     Devemos lembrar que nada pode se fazer de garantia a uma vida feliz e próspera (mesmo bens acumulados podem ser perdidos de diversas formas no momento seguinte, conforme a vontade do Criador), exceto a prática do amor e justiça verdadeiros, os valores éticos (dados pelo Criador à humanidade na Bíblia Hebraica). A transgressão a esses valores pode dar ilusório lucro momentâneo, mas que não perdura, assim como nada que não é semeado em justiça e amor, no anseio de beneficiar ao próximo e ajudá-lo a andar nos caminhos prósperos e íntegros do não fazer para o próximo aquilo que não se deseja para si mesmo (Salmo 73). 

    Somente o Criador pode garantir algo, e ele garante ao que andam em retidão e justiça, e ama ao Criador e ao próximo como a si mesmo, e nesse compromisso, cresce mais e mais a cada dia essa direção. Sem a fé de que o Criador é maior que os poderosos e corruptos e quem quer que seja, o indivíduo, sentindo-se oprimido, pode querer dar um jeito para que a justiça seja feita. A solução que resulta em algum bem não é senão que ele mesmo ande em justiça e amor com Seu Criador e com as pessoas, crendo que não haverá futuro para o homem corrupto, mesmo que sua opressão parece durar para sempre e derrame muitas lágrimas, pois a salvação do justo da mão dos opressores é certa. É somente questão de tempo. 

    Seja cada um o exemplo da sociedade que se quer construir, com fé no Criador, que é maior que todos os poderes e honras humanos. Para sermos justos é necessário essa fé no Criador e  desejo de viver o amor e a justiça acima de quaisquer outros desejos.






domingo, 2 de maio de 2021

De que vale o conhecimento quando o dinheiro é o "deus" da sociedade?


 

O ser humano para viver tem necessidades básicas tais como comer, vestir, morar, ter boa saúde. Precisa plantar e colher os frutos para se alimentar. Precisa extrair materiais da natureza para construir sua moradia, tais como metais, madeira, pedra, etc. Para vestir, descobriu que o algodão era útil para fazer roupas, através da confecção de fios e do trabalho de entrelaçar esses fios. Com o tempo, foi descobrindo formas de tornar menos árduo o trabalho de construção, plantação, colheita, fabricação de tecidos, limpeza. Ao longo de muitos e muitos anos, o trabalho manual tem se tornado mais “leve”, através da tecnologia, das máquinas, novos compostos e substâncias químicas fabricadas ou manipuladas pelo ser humano, que fazem, em nosso lugar, parte do trabalho mecânico que antes fazíamos.

Muitas vezes a sociedade tem aplicado a tecnologia, as novas invenções, sem antes avaliar seu impacto ambiental e social. Alguns exemplos gritantes da atualidade são a liberação e até substituição dos alimentos por alimentos transgênicos, cujas consequências não são tão conhecidas. Outro exemplo, os desodorantes convencionais foram praticamente substituídos por desodorantes anti-transpirantes, que retém as impurezas do suor dentro do organismo. Podem, com isso, gerar novas modalidades de doenças, mas colocam a economia e seu lucro acima do bem-estar social. A crescente substituição dos empregados humanos pelas máquinas e robôs geram cada vez mais desemprego. Não é desconhecido na história o impacto (social e ambiental) causado pelas máquinas térmicas, como as máquinas a vapor. Fez com que o ser humano pudesse produzir mais tecidos, com maior facilidade. No entanto, o trabalhador foi ainda mais explorado na sua jornada de trabalho extensa e insalubre, tão bem retratada por Charles Chaplin, na sua obra prima “Tempos Modernos”. Será possível que já a esquecemos? Nas capitais dos países ricos, há pessoas pedindo dinheiro nas ruas. Para que concentrar riqueza nas mãos de alguns, sem cuidar da necessidade do outro? Isso é verdadeira riqueza e sabedoria? Que felicidade há nisso? Que solidariedade existe em não se importar com a dor do nosso semelhante, com a injustiça que a sociedade prolifera sem culpa na consciência?

Como vemos, a tecnologia tem sido usada para trazer conforto à sociedade para suprir suas necessidades humanas básicas, mas tem, em muitos aspectos, tornado a vida humana mais penosa, e gerando doenças na sociedade e desastres na ecologia. A tecnologia e a ciência, tem sido usadas também como instrumento de enriquecimento dos mais privilegiados, tem dado vazão `a ganância dos poderosos e ao descuido com o menos favorecido. Não precisa ser assim. Não deve ser assim. Se os valores éticos pautassem as decisões, tudo seria usado para o bem. Mas quando a cobiça, a ganância, o amor ao status, à riqueza e poder prevalecem, tudo é usado para o dano.

Será que o que patrocina ou move pesquisas científicas e tecnológicas, muitas vezes, continua sendo para alimentar a ganância, o luxo, o descaso com o mais carente? Conhecer não é, necessariamente, ter sabedoria. Ter sabedoria é colocar o conhecimento em prol de todos os seres humanos, da sociedade como um todo, da natureza, e usar o conhecimento para construir, não para destruir. Para causar o bem, não para tornar maior o sofrimento e o dano. Mas quem está pesando os riscos e benefícios, os prós e os contras, coloca o dinheiro acima de tudo, como valor supremo ?

E onde a sabedoria está sendo ensinada nas escolas? Através da exploração e desvalorização do professor pelo governo, dando-lhes vida penosa e sacrificante ? As escolas sem psicólogo, sem bedel, sem assistente social em número suficiente, sem estrutura para tratar de todos os desafios e crises que a criança e o adolescente já passa em sua casa, bairro e cidade ?. E que tipo de conhecimento é espalhado? para que serve para aliviar o estrago social do cotidiano dessas pessoas? qual a relação desse conhecimento com as necessidades humanas básicas? Como o aluno consegue com a escola entender seu papel na sociedade, através do exercício dos seus talentos? Ele reconhece os problemas? Ele vê esperança? Como o aluno pode ser um agente na construção do futuro? Estudo e conhecimento tem valor para o país, para o mundo? Para construir um país melhor ou só para conseguir um salário digno? Os alunos tem condições de serem indivíduos críticos, que sabem como ajudar, cooperar e se inserir dentro da problemática social e no planeta? Quem são seus exemplos de vida? Como eles vivem? São eles excluídos? Há liberdade para descobrir seus próprios dons, talentos e interesses, com respeito a como ajudar a sociedade? Quem está orientando essa juventude? Eles se sentem esperançosos? Ou será que querem se tornar como os que os oprimem hoje, para não serem mais a parte oprimida, porque cansaram da dor?

O Governo tem obrigação de pôr limite nos abusos e naquilo que gera dano à sociedade como um todo ou ao menos favorecido. O dinheiro não pode ditar sobre os demais valores, Os valores éticos devem limitar os abusos cometidos pelos detentores de poder, dinheiro e posição. E quando o governo se coliga com os gananciosos e vende seus valores éticos? Nós, como população, não podemos dizer que não queremos esses governantes? Não podemos nos organizar em cooperativas de apoio, cuidado mútuo e solidariedade?

É preciso escolher e nos apegarmos firmemente aos valores éticos, para que a corrupção não se alastre desde o menor até o maior. Pois aí, não haverá futuro para a nação caótica, a Sodoma e Gomorra, onde cada um passando por cima dos valores éticos, cuida apenas do seu, e usa instrumentos ilícitos para saciar suas cobiças e interesses pessoais. Ou se põe um fim, se apegando aos valores de respeito, amor, cooperação, direitos de alimentação, moradia, dignidade, trabalho, a todos, ou a opressão do dinheiro e poder sobre os menos favorecidos e aos que amam as outras pessoas, será cada vez maior, intolerável. Ou cuidamos uns dos outros, ou desfalecemos como nação.

Se deixarmos, o dinheiro atua como um deus em nossa sociedade, passando por cima da dignidade dos outros seres humanos, do meio ambiente, do bem-estar social, principalmente, em detrimento dos que receberam menos desde o seu nascimento (os menos favorecidos), privados de condições apropriadas de desenvolvimento e inserção social.

Se continuarmos deixando o dinheiro ser um deus em nossa vida, cada vez mais pessoas que se dedicam ao cuidado mútuo, ao amor, à educação, à justiça, ou seja, ao que realmente tem valor, não vão ter espaço nessa sociedade onde o dinheiro prevalece como um deus. E também a vida dos mais privilegiados, dos que se deixam vender seus valores éticos ou seduzir pelo dinheiro, torna-se mais sem sentido, sem amor, pois que felicidade há sem amar, sem se doar pelo próximo? Que felicidade há em ver nas ruas o sofrimento cada vez maior do povo que se corrompe e adere ao sistema onde o lucro é acima do respeito, da consideração, do bom tratamento, do não fazer para o outro o que não se deseja para si mesmo (o verdadeiro amor)?

O conhecimento é diferente de sabedoria. A sabedoria mede consequências, coloca o ser humano e seus valores em primeiro lugar. A sabedoria não causa dano ao próximo nem à natureza. Temos liberdade, mas não é tudo que podemos ou que devemos, ou que tem boas consequências.

Todos os indivíduos devem ter direito ao desenvolvimento pleno, à descoberta e exercício dos seus talentos e dons. Todo indivíduo deve ter direito ao trabalho sem exploração e à contribuição à sociedade. Todo indivíduo deve ter direito a cuidar de sua saúde, direito à habitação, direito a viver numa sociedade que cultiva o respeito mútuo, a cooperação mútua e a paz. Toda pessoa deve ter direito de andar nas ruas sem medo de violência. Toda pessoa deve ter direito de ter contato com a natureza a qual faz parte (é uma necessidade humana básica que influencia o bem-estar humano), a habitar em torno dela e compreendê-la, respeitá-la e estar em harmonia com ela, sem danificá-la.

Precisamos tomar responsabilidade sobre as nossas vidas e sobre a vida da nossa nação. É o povo que decide o que quer, cada indivíduo que escolhe que valores e o que vai semear na vida. Se vai deixar o dinheiro oprimi-lo e escravizá-lo, ou se vai se mover para pôr fim aos abusos, às corrupções e se unir aos demais que escolheram o amor e a justiça para reconstruir a nação, para fiscalizar e denunciar a imoralidade, para respeitar a esposa, o esposo, a família, o outro e o que a ele pertence. Precisamos tomar responsabilidade para aprender em quem votar e como cobrar dos eleitos coerência com suas propostas, e não desistir de lutar pelos valores éticos. Existe um Deus verdadeiro, e não é o dinheiro, nem nada criado pelo ser humano. Vamos erguer a voz por aqueles que não tem como se defender e ajudá-los com todo amor, como se fossemos nós mesmos, pois o amor se importa e o amor se doa para benefício do próximo. E o Criador está com os que escolhem o amor e a justiça, e salva da mão do opressor. Se nos apegarmos à integridade e ao amor, apesar de outros (ou até muitos) escolherem outros caminhos, haverá esperança. Sejamos corajosos.


quinta-feira, 15 de abril de 2021

Educação para a Vida: cuidar de si e dos outros



Educar é ajudar no desenvolvimento de um ser, em florescer sua essência e potencialidades.

Educar não é moldar em um padrão. Não é criar cópias do educador. É respeitar o ser como o Criador o fez, ajudá-lo em sua autodescoberta e na sua descoberta do seu mundo ao redor e papel a desempenhar (Provérbios {Mishlei} 22:6).

Para o Criador, todos são perfeitos em essência, à imagem e semelhança dEle. Todos tem propósito e missão. Cabe descobri-las. E então, ajuntar-se a grande orquestra de diferentes essências e talentos existentes.

Não há só um tipo de beleza ou alvo desejado. As diferentes pessoas são como as diferentes plantas e flores. Precisam de condições diferentes para se desenvolver bem e se adaptar. Não estão em competição, mas em harmonia, quando cada um exerce a expressão do seu ser e habilidades plenamente. O conjunto é a orquestra do Criador. Não podia ser melhor e mais perfeita.

O ser humano pode produzir plantações uniformes, mas o Criador e a natureza criada são plurais e se relacionam em harmonia.

O ser humano deve aprender com o Criador a respeitar a identidade de cada um e o desenvolvimento de cada um. Abraçar o diferente, ajudá-lo e apreciar suas belas características, também à imagem e semelhança do Criador. Nem um de nós, seres criados, é o centro da criação. O centro e propósito último é o Criador e a manifestação de Suas boas, justas e belas características, das quais todos fazemos parte.

Se alguém ou algo está em perigo de não se desenvolver bem, não devemos descansar enquanto não ajudarmos aquela parte. Pois sem uma só parte, não há harmonia do todo. Algo está faltando, algo precioso que expressa de maneira única características do Criador que nós nem outros temos, nem somos capazes de manifestar.

Erroneamente no passado, estudiosos da natureza notificavam um mundo em competição, um em detrimento do outro, disputas e guerras. A história revela a destruição que disputas e guerras causam, tanto no desenvolvimento, quanto na extinção da vidaO caminho da vida, conforme entendo, é o contrário: é aprender a cooperar. Também é compreendido pela ciência que seres que cooperam entre si, conseguem melhor se desenvolver e lutar contra os desafios da sobrevivência. Não há guerra, há paz, e todos tem dignidade e contribuem sua parte a outros, e todos precisam uns dos outros, são interdependentes. Esse, entendo eu, é o verdadeiro caminho da vida. Não por utilitarismo e pela sobrevivência e vida em si, mas pelo objetivo genuíno do querer bem e no intuito de ajudar uns aos outros, encontramos o sustento e a vida. Realmente quem escolhe o amor e o cuidado dos outros e o andar em justiça, encontra a vida (Provérbios {Mishlei} 21:21). E o que se preocupa só com os próprios problemas e sobrevivência, terá dificuldades por fim.

O amor é  decisão que vem da alma e opera para a vida. Mas, o egocentrismo, o individualismo, o culto ao conhecimento, ao dinheiro, ao poder, à honra, às "conquistas" individuais, à fama, tem gerado destruição e morte em nossa sociedade. Tem gerado infelicidade e miséria tanto físicas quanto emocionais e espirituais. É preciso que o ser humano volte a funcionar com saúde na alma e no corpo. Para isso, é necessária uma decisão: amar e cuidar dos outros seres humanos e da natureza. Pensar no bem estar do outro e da coletividade. Não desistir de ajudar o menos favorecido, até que ele atinja condições de desenvolvimento para fazer parte da harmonia e cooperação social. Enquanto não alcançarmos esse objetivo o mundo continuará doente, pois está desligado de sua verdadeira essência, que é o amor.

Se cada um tivesse o compromisso do cuidado de si mesmo, mas também das outras pessoas e se preocupasse em ajudar uns aos outros, todos lutariam para encontrar soluções para os problemas conjuntamente. Em algum momento da história, o ser humano tem desistido de cuidar do próximo, com a desculpa de que ninguém cuidará dele. Assim tem escolhido o individualismo. Mas o altruísmo não vê outra solução de paz e vida que não seja decidir se doar pelas outras pessoas e também por si mesmo. Fazer sua parte na responsabilidade individual e também na coletiva, pois uma não ocorre sem a outra.

Ninguém nunca se fez sozinho no mundo. Todos recebemos desde bebês muito de muitas pessoas, de diversas maneiras. E ainda hoje, somos sustentados pelo trabalho de muitos. Ninguém basta  a si mesmo. O caminho do individualismo não tem fim. Gera individualismo que gera mais individualismo, e assim, mais e mais pessoas são excluídas da harmonia do todo, e o todo vai se tornando cada vez menor, menor, menor, uma elite, depois um pequeno grupo, e assim por diante.

O caminho da vida é o oposto. Se um indivíduo deseja se doar ao próximo, além de cuidar de si mesmo, tomando responsabilidade sobre si mesmo e também em ajudar os outros no que está em seu poder, esse ajuda outra a se doar ao próximo. O outro ajuda o outro, e assim por diante. Uma rede cooperativa vai se formando e cada vez mais pessoas são ajudadas e fortalecidas e conseguem melhores condições de vida e de desenvolvimento, e assim por diante, até incluírem todos. Então o sofrimento cessa. Todos tem dignidade e podem se desenvolver e desempenhar suas funções plenamente no mundo. 

Não é fácil o caminho da vida. Tem adversidades. Mas é o único caminho que constrói. Constrói mais amor e ajuda a construir o outro e todos cooperam e fazem parte. É difícil ter que lutar contra indivíduos que teimam quererem construir só para si mesmos privilégios, honrarias, "boas condições", "boa vida". 

Mas, uma vida egocêntrica, onde somente um ou poucos prosperam, é uma vida miserável, pois não há amor para os milhares que estão fora sem poder se desenvolver. É uma ilusão. Pode ser uma vida rica materialmente, mas por dentro, é espiritualmente miserável e infeliz. A riqueza, o poder, o sucesso, a honra, a inteligência, a intelectualidade ou qualquer outra coisa que esteja seduzindo o egoísta, já provaram seu poder de destruir vidas e gerar infelicidade. Pois a felicidade está em amar e ajudar outros a serem também felizes. E isso não vem sem integridade, retidão, amor, bondade, cooperação. 

Por isso, precisamos agarrar os valores éticos, o verdadeiro amor e justiça, e andar neles com toda nossa força e lutar por eles com tudo que temos e somos. Pois nisso está nossa vida e nossa felicidade, e tudo que semearmos e plantarmos na vida que não for para o intuito do amor e justiça, perecerá. Pois a natureza da sua própria intenção fará isso. Escolhemos, então, hoje a vida (como está escrito na Torá, em Deuteronômio caps.30 e 31). E a vida é o amor: não fazer para o outro o que não gostaríamos que outros fizessem para si mesmos (Levítico cap.19). Simples assim. Basta voltar a viver conforme a essência que Deus nos criou a todos.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Todos os serviços íntegros feitos com amor são igualmente valorosos

  


 
Todos os serviços íntegros feitos em amor são igualmente valorosos: plantar o alimento, limpar, construir uma casa, medicar...se é  assim, então,
 porque tantos profissionais são maltratados, explorados até adoecer

   Por que tanta diferença de dignidade e condições de um trabalho entre as profissões? Quem é o cabeça ou o líder? O ser humano ou o dinheiro? 
    Por que não podemos decidir que não queremos uma sociedade assim onde o dinheiro dita os valores
    Resgatemos os valores éticos, o amor, a cooperação, o respeito, a dignidade, a justiça, a solidariedade a cada um. 

    Todo ser humano é uma alma pura com características únicas, dons e talentos específicos para se doar ao próximo e ao Criador.
    Sendo assim, a todo indivíduo deve ser dada a possibilidade de autoconhecimento e desenvolvimento do seu ser e de seus talentos.

    Se existe alguém desempregado é porque algo está errado na sociedade. Todos podemos ser integrados, se estamos unidos em um esforço cooperativo para trabalharmos para suprir nossas necessidades físicas, tais como morar, comer, dormir, lavar-se, etc.
Há necessidade do rompimento do individualismo em prol de ajudar o outro a se desenvolver.     

    Uma sociedade individualista está fadada ao fracasso. Pois todos somos interdependentes e necessitamos uns dos outros para suprir todas as nossas necessidades.

    Um semeia, o outro colhe a plantação. Um vende, o outro cozinha. Um ajuda a ter água apropriada para o consumo, outro lava e deixa tudo limpo. Um pesquisa e estuda para solucionar problemas da sociedade. O outro faz a prescrição dos medicamentos. E tudo isso tem a origem no Criador, que deu a natureza para cuidarmos e nos alimentarmos com sabedoria. Que deu os dons, talentos e saúde que nos possibilitam contribuir com trabalho.
Se, entretanto, conseguíssemos cooperar materialmente, mas sem ter no coração o amor no serviço que desempenhamos, e não nos importamos uns com os outros emocionalmente e espiritualmente, sentiríamos um grande vazio dentro de nós, pois fomos feitos para amar e amar nos faz felizes. 

    Um sistema de poder, dinheiro ou posição, que não se importa com os que receberam menos, os menos privilegiados, e não cuida de seu desenvolvimento, inevitavelmente fracassa.

    Um sociedade que não cuida dos mais carentes, negligenciando o seu direito de desenvolvimento e ser parte da cooperação que há no mundo, é injusta. Se um recebeu mais, deve ajudar o que recebeu menos (seja em condições e saberes emocionais, materiais, intelectuais, técnicos, etc), pois tudo vem do Criador, até que todos tenham suficiente dignidade de vida, a sociedade deve dar as mãos para resolver e consertar onde negligenciou. Onde lesou deve restituir. 

    Da mesma forma, os países que exploraram outros países devem cessar o ciclo de exploração e considerar o país mais carente um cooperador na construção de um mundo melhor. Certamente Deus dotou cada país com características importantes e únicas, com talentos, produtos e qualidades especiais que também expressam algo de sua sabedoria e supre algo das necessidades humanas.

    O Criador, Bendito seja Ele, embora sendo antes de todas as criaturas, não despreza, nem explora, nem usa, nem humilha nenhuma delas, antes a vê expressão especial, peculiar, de um subconjunto suas boas características. Assim é o amor que define o Criador, do qual todos seres humanos fomos criados à imagem e semelhança. 

    O amor se doa, o amor respeita e dignifica o próximo, cuida da sua honra, cuida das suas necessidades, não faz para o outro o que não deseja para si. Precisamos todos viver de maneira a dignificar o Nome do Criador na terra. Não devemos descansar enquanto a cooperação não extinguir a competição, a compaixão não substituir a dor, a justiça não der espaço para seres humanos usarem outros seres humanos em detrimento deles

    É necessário tomar uma decisão: Acreditar que o Criador é maior que a corrupção dos sistemas humanos e pode restaurar os que querem amar e viver em justiça e vencer seus opressores, ou desfalecer sem pedir o grito de socorro do oprimido, a quem Deus já prometeu escutar. Que seja um grito coletivo e bem alto, para que todos ouvindo, tomem parte. Um grito para o Criador que nos ajude a todos vivermos em amor e justiça e reconstruirmos uma sociedade amorosa e justa, digna dEle.

Quando Nossa Educação Deseduca

  A nossa educação deseduca sempre que ensinamos conhecimentos, sem instruir os valores éticos que devem dirigi-los. A nossa educação ...