quarta-feira, 2 de junho de 2021

Sem imparcialidade não é possível uma Sociedade ser justa

    Um obstáculo importante para uma sociedade ser justa é praticar o valor ético da imparcialidade. 

    Mas no que consiste esse valor ético?

   Ser imparcial consiste em avaliar ou julgar atitudes ou ações pelos mesmos critérios e valores éticos, sem dar preferência a certas partes, partidos, grupos ou indivíduos.

    Todos podemos apreciar esse ou aquele grupo, se identificar mais com essa ou aquele grupo ou mentalidade, conjunto de habilidades, etc. Apesar de preferir estar nessa ou naquela companhia, ou ter mais afinidade com esse ou aquele grupo, na hora de avaliar ou julgar um comportamento, não podemos dar preferência no nosso julgamento aos grupos ou indivíduos dos quais somos mais próximos, ou àqueles com quem temos afinidade, ou ao que nos é familiar, ou aquele que nos dá maior lucro ou favorece interesses pessoais nossas ou de outras partes. 

    Não é ético dar preferência ao que é meu, ou ao que me beneficia. Então, como é o julgamento ético? O julgamento ético é baseado nos mesmos valores e critérios para com todos, sem diferença entre pessoas, por pertencer a esse ou essa família ou grupo. O compromisso maior deve ser com os valores éticos, não com pessoas. De outro modo cairíamos no favorecimento de essa ou aquela pessoa, transgredindo os valores da ética a qual deveríamos ser comprometidos. O que realmente beneficia as pessoas e a sociedade é que ajudemos uns aos outros a andarem conforme os valores éticos tais como: não usar dois pesos e duas medidas, ou seja, não usar de um critério para com certas pessoas, e outro critério para outras pessoas.

    Todo indivíduo é alguém diferente, com diferente essência (alma), diferentes e únicas características. Todos temos igual valor para o Criador que nos fez. Os mesmos critérios ou valores éticos devem ser aplicados na avaliações das pessoas, sem exercer preferência por um ou outro, mesmo que o outro seja mais próximo a nós afetivamente, economicamente, socialmente, religiosamente, ou em qualquer outra esfera humana de relacionamentos interpessoais, grupais ou sociais.



 “Não serás parcial no julgamento; ouvirás assim o pequeno como o grande. Não temas homem algum porque o julgamento é de Deus” (Deuteronômio 1:17). 

Não torcerás o juízo, não mostrarás parcialidade nem tomarás suborno, porque o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Deuteronômio 16:19). 

Não farás injustiça no juízo, não favorecerás o pobre ou demonstrarás deferência ao rico; com justiça julgará o teu próximo” (Levítico 19:16).

    Entretanto, há situações desfavoráveis e frágeis, em que qualquer pessoa precisa de ajuda. A sociedade deve, então, ajudar toda pessoa que se encontre nessas situações vulneráveis, de modo a que tenham direito de viver em dignidade e ser parte  ativa da sociedade, superando suas dificuldades que, na ausência de ajuda, poderiam levar essas pessoas à condição de risco. Qualquer pessoa,  quando se encontra em condição desfavorável ou frágil, frente a sociedade, deve receber ajuda para superar suas maiores dificuldades. Essa ajuda deve ser a mesma, sem distinção entre pessoas, mas igualmente dada a qualquer pessoa que se encontre nessa situação. Essas são as condições dos estrangeiros, das viúvas, dos pobres e dos órfãos (Deuteronômio 10:18-19; 24:20-21; Levítico 19:9-10; Êxodo 22:21-22).

    Deve haver um cuidado especial na proteção daquele que se encontra em situação mais frágil ou desfavorável:  com o estrangeiro, com o órfão e da viúva (Êxodo 22/21-22 e Deuteronômio 10/18-19), com o pobre (as sobras da colheita deveriam ser deixadas para o pobre, o estrangeiro, o órfão e a viúva (Levítico 19/9-10 e Deuteronômio 24/20-21).

    Devemos lembrar de que não recebemos igualmente a todas as pessoas, temos recebido conforme o lar, contexto, e sociedade em que nascemos. Se nós como sociedade não estamos dando plenas condições de desenvolvimento de uma pessoa, devemos providenciar conserto, de modo a suprir as necessidades dela, para que seja alguém plenamente capaz, inserido e participante na sociedade no exercício do seus dons e talentos. Ser responsável socialmente implica em sermos comprometidos em ajudar uns aos outros em suprir aquilo que nos foi privado, tanto pela sociedade quanto pela família, sanando as brechas que causam dano ao indivíduo, e consequentemente, à sociedade. 

    O individualismo opera contra a responsabilidade social. O governo e sociedade devem zelar pela educação e formação do indivíduo. A responsabilidade social exige que se nós como sociedade causamos dano a um indivíduo, cabe a nós, ajudarmos no conserto, na mesma intensidade do dano anteriormente causado (Êxodo 21:24; 22);

    Para sermos imparciais devemos investigar, interrogar as pessoas e partes envolvidas da mesma maneira, sem diferença.

    Não se pode tirar de nenhum ser humano os instrumentos básicos necessários à sua subsistência ou exercício profissional, independente quem seja esse ser humano (Deuteronômio {Devarim} 24:6).

    Não se pode condenar os filhos pelos pecados dos pais, nem os pais pelos dos filhos (se esses já atingiram sua idade de responsabilidade por si mesmo) (Deuteronômio {Devarim} 24:16). Cabe à sociedade cuidar para que os jovens recebam boas instruções para viver, de modo a poderem tomar responsabilidade por si mesmos e ter consciência dos valores que adotaram para a vida e a relação das atitudes com esses.

    Não se pode fraudar pesos ou medidas (Levítico {Vaykra} 19:35-36, Deuteronômio {Devarim} 25:13-15). A balança antiga (vide figura) costumava pesar as coisas de um lado da balança com a referência de um peso de massa conhecida, do outro lado. Se houvesse mudança do peso de medida (de referência ao pesar dos demais), todas a medida estaria alterada. Da mesma forma é a parcialidade: altera o peso da medida de referência, ou, analogamente, adultera os valores éticos (que são os padrões com os quais medimos as ações humanas), conforme o  freguês que vai pesar. Assim, a parcialidade pesa um de uma maneira, e outra pessoa, de outra maneira, com uma outra medida ou peso. 

    A parcialidade é uma  forma de corrupção muito comum e assim como as outras injustiças está enraizada na ausência de crença de que ser justo e andar em retidão é o caminho mais abençoador na vida (apesar da corrupção das outras pessoas, o que escolhe viver em justiça e amor, escolhe a vida), assim como está escrito na Bíblia Hebraica, que afirma:


"Quem anda em integridade habita em segurança"- Provérbios 10:9

"O Eterno é o Meu Pastor, nada me faltará" (Quem anda no caminho guiado pelo Eterno não tem falta de nada) - Salmos 23:1

"O justo pela sua fé viverá"  (a justiça vem do que exercita a fé no Criador) -Habacuque (Habakuk)  2:4

    
     Devemos lembrar que nada pode se fazer de garantia a uma vida feliz e próspera (mesmo bens acumulados podem ser perdidos de diversas formas no momento seguinte, conforme a vontade do Criador), exceto a prática do amor e justiça verdadeiros, os valores éticos (dados pelo Criador à humanidade na Bíblia Hebraica). A transgressão a esses valores pode dar ilusório lucro momentâneo, mas que não perdura, assim como nada que não é semeado em justiça e amor, no anseio de beneficiar ao próximo e ajudá-lo a andar nos caminhos prósperos e íntegros do não fazer para o próximo aquilo que não se deseja para si mesmo (Salmo 73). 

    Somente o Criador pode garantir algo, e ele garante ao que andam em retidão e justiça, e ama ao Criador e ao próximo como a si mesmo, e nesse compromisso, cresce mais e mais a cada dia essa direção. Sem a fé de que o Criador é maior que os poderosos e corruptos e quem quer que seja, o indivíduo, sentindo-se oprimido, pode querer dar um jeito para que a justiça seja feita. A solução que resulta em algum bem não é senão que ele mesmo ande em justiça e amor com Seu Criador e com as pessoas, crendo que não haverá futuro para o homem corrupto, mesmo que sua opressão parece durar para sempre e derrame muitas lágrimas, pois a salvação do justo da mão dos opressores é certa. É somente questão de tempo. 

    Seja cada um o exemplo da sociedade que se quer construir, com fé no Criador, que é maior que todos os poderes e honras humanos. Para sermos justos é necessário essa fé no Criador e  desejo de viver o amor e a justiça acima de quaisquer outros desejos.






domingo, 2 de maio de 2021

De que vale o conhecimento quando o dinheiro é o "deus" da sociedade?


 

O ser humano para viver tem necessidades básicas tais como comer, vestir, morar, ter boa saúde. Precisa plantar e colher os frutos para se alimentar. Precisa extrair materiais da natureza para construir sua moradia, tais como metais, madeira, pedra, etc. Para vestir, descobriu que o algodão era útil para fazer roupas, através da confecção de fios e do trabalho de entrelaçar esses fios. Com o tempo, foi descobrindo formas de tornar menos árduo o trabalho de construção, plantação, colheita, fabricação de tecidos, limpeza. Ao longo de muitos e muitos anos, o trabalho manual tem se tornado mais “leve”, através da tecnologia, das máquinas, novos compostos e substâncias químicas fabricadas ou manipuladas pelo ser humano, que fazem, em nosso lugar, parte do trabalho mecânico que antes fazíamos.

Muitas vezes a sociedade tem aplicado a tecnologia, as novas invenções, sem antes avaliar seu impacto ambiental e social. Alguns exemplos gritantes da atualidade são a liberação e até substituição dos alimentos por alimentos transgênicos, cujas consequências não são tão conhecidas. Outro exemplo, os desodorantes convencionais foram praticamente substituídos por desodorantes anti-transpirantes, que retém as impurezas do suor dentro do organismo. Podem, com isso, gerar novas modalidades de doenças, mas colocam a economia e seu lucro acima do bem-estar social. A crescente substituição dos empregados humanos pelas máquinas e robôs geram cada vez mais desemprego. Não é desconhecido na história o impacto (social e ambiental) causado pelas máquinas térmicas, como as máquinas a vapor. Fez com que o ser humano pudesse produzir mais tecidos, com maior facilidade. No entanto, o trabalhador foi ainda mais explorado na sua jornada de trabalho extensa e insalubre, tão bem retratada por Charles Chaplin, na sua obra prima “Tempos Modernos”. Será possível que já a esquecemos? Nas capitais dos países ricos, há pessoas pedindo dinheiro nas ruas. Para que concentrar riqueza nas mãos de alguns, sem cuidar da necessidade do outro? Isso é verdadeira riqueza e sabedoria? Que felicidade há nisso? Que solidariedade existe em não se importar com a dor do nosso semelhante, com a injustiça que a sociedade prolifera sem culpa na consciência?

Como vemos, a tecnologia tem sido usada para trazer conforto à sociedade para suprir suas necessidades humanas básicas, mas tem, em muitos aspectos, tornado a vida humana mais penosa, e gerando doenças na sociedade e desastres na ecologia. A tecnologia e a ciência, tem sido usadas também como instrumento de enriquecimento dos mais privilegiados, tem dado vazão `a ganância dos poderosos e ao descuido com o menos favorecido. Não precisa ser assim. Não deve ser assim. Se os valores éticos pautassem as decisões, tudo seria usado para o bem. Mas quando a cobiça, a ganância, o amor ao status, à riqueza e poder prevalecem, tudo é usado para o dano.

Será que o que patrocina ou move pesquisas científicas e tecnológicas, muitas vezes, continua sendo para alimentar a ganância, o luxo, o descaso com o mais carente? Conhecer não é, necessariamente, ter sabedoria. Ter sabedoria é colocar o conhecimento em prol de todos os seres humanos, da sociedade como um todo, da natureza, e usar o conhecimento para construir, não para destruir. Para causar o bem, não para tornar maior o sofrimento e o dano. Mas quem está pesando os riscos e benefícios, os prós e os contras, coloca o dinheiro acima de tudo, como valor supremo ?

E onde a sabedoria está sendo ensinada nas escolas? Através da exploração e desvalorização do professor pelo governo, dando-lhes vida penosa e sacrificante ? As escolas sem psicólogo, sem bedel, sem assistente social em número suficiente, sem estrutura para tratar de todos os desafios e crises que a criança e o adolescente já passa em sua casa, bairro e cidade ?. E que tipo de conhecimento é espalhado? para que serve para aliviar o estrago social do cotidiano dessas pessoas? qual a relação desse conhecimento com as necessidades humanas básicas? Como o aluno consegue com a escola entender seu papel na sociedade, através do exercício dos seus talentos? Ele reconhece os problemas? Ele vê esperança? Como o aluno pode ser um agente na construção do futuro? Estudo e conhecimento tem valor para o país, para o mundo? Para construir um país melhor ou só para conseguir um salário digno? Os alunos tem condições de serem indivíduos críticos, que sabem como ajudar, cooperar e se inserir dentro da problemática social e no planeta? Quem são seus exemplos de vida? Como eles vivem? São eles excluídos? Há liberdade para descobrir seus próprios dons, talentos e interesses, com respeito a como ajudar a sociedade? Quem está orientando essa juventude? Eles se sentem esperançosos? Ou será que querem se tornar como os que os oprimem hoje, para não serem mais a parte oprimida, porque cansaram da dor?

O Governo tem obrigação de pôr limite nos abusos e naquilo que gera dano à sociedade como um todo ou ao menos favorecido. O dinheiro não pode ditar sobre os demais valores, Os valores éticos devem limitar os abusos cometidos pelos detentores de poder, dinheiro e posição. E quando o governo se coliga com os gananciosos e vende seus valores éticos? Nós, como população, não podemos dizer que não queremos esses governantes? Não podemos nos organizar em cooperativas de apoio, cuidado mútuo e solidariedade?

É preciso escolher e nos apegarmos firmemente aos valores éticos, para que a corrupção não se alastre desde o menor até o maior. Pois aí, não haverá futuro para a nação caótica, a Sodoma e Gomorra, onde cada um passando por cima dos valores éticos, cuida apenas do seu, e usa instrumentos ilícitos para saciar suas cobiças e interesses pessoais. Ou se põe um fim, se apegando aos valores de respeito, amor, cooperação, direitos de alimentação, moradia, dignidade, trabalho, a todos, ou a opressão do dinheiro e poder sobre os menos favorecidos e aos que amam as outras pessoas, será cada vez maior, intolerável. Ou cuidamos uns dos outros, ou desfalecemos como nação.

Se deixarmos, o dinheiro atua como um deus em nossa sociedade, passando por cima da dignidade dos outros seres humanos, do meio ambiente, do bem-estar social, principalmente, em detrimento dos que receberam menos desde o seu nascimento (os menos favorecidos), privados de condições apropriadas de desenvolvimento e inserção social.

Se continuarmos deixando o dinheiro ser um deus em nossa vida, cada vez mais pessoas que se dedicam ao cuidado mútuo, ao amor, à educação, à justiça, ou seja, ao que realmente tem valor, não vão ter espaço nessa sociedade onde o dinheiro prevalece como um deus. E também a vida dos mais privilegiados, dos que se deixam vender seus valores éticos ou seduzir pelo dinheiro, torna-se mais sem sentido, sem amor, pois que felicidade há sem amar, sem se doar pelo próximo? Que felicidade há em ver nas ruas o sofrimento cada vez maior do povo que se corrompe e adere ao sistema onde o lucro é acima do respeito, da consideração, do bom tratamento, do não fazer para o outro o que não se deseja para si mesmo (o verdadeiro amor)?

O conhecimento é diferente de sabedoria. A sabedoria mede consequências, coloca o ser humano e seus valores em primeiro lugar. A sabedoria não causa dano ao próximo nem à natureza. Temos liberdade, mas não é tudo que podemos ou que devemos, ou que tem boas consequências.

Todos os indivíduos devem ter direito ao desenvolvimento pleno, à descoberta e exercício dos seus talentos e dons. Todo indivíduo deve ter direito ao trabalho sem exploração e à contribuição à sociedade. Todo indivíduo deve ter direito a cuidar de sua saúde, direito à habitação, direito a viver numa sociedade que cultiva o respeito mútuo, a cooperação mútua e a paz. Toda pessoa deve ter direito de andar nas ruas sem medo de violência. Toda pessoa deve ter direito de ter contato com a natureza a qual faz parte (é uma necessidade humana básica que influencia o bem-estar humano), a habitar em torno dela e compreendê-la, respeitá-la e estar em harmonia com ela, sem danificá-la.

Precisamos tomar responsabilidade sobre as nossas vidas e sobre a vida da nossa nação. É o povo que decide o que quer, cada indivíduo que escolhe que valores e o que vai semear na vida. Se vai deixar o dinheiro oprimi-lo e escravizá-lo, ou se vai se mover para pôr fim aos abusos, às corrupções e se unir aos demais que escolheram o amor e a justiça para reconstruir a nação, para fiscalizar e denunciar a imoralidade, para respeitar a esposa, o esposo, a família, o outro e o que a ele pertence. Precisamos tomar responsabilidade para aprender em quem votar e como cobrar dos eleitos coerência com suas propostas, e não desistir de lutar pelos valores éticos. Existe um Deus verdadeiro, e não é o dinheiro, nem nada criado pelo ser humano. Vamos erguer a voz por aqueles que não tem como se defender e ajudá-los com todo amor, como se fossemos nós mesmos, pois o amor se importa e o amor se doa para benefício do próximo. E o Criador está com os que escolhem o amor e a justiça, e salva da mão do opressor. Se nos apegarmos à integridade e ao amor, apesar de outros (ou até muitos) escolherem outros caminhos, haverá esperança. Sejamos corajosos.


quinta-feira, 15 de abril de 2021

Educação para a Vida: cuidar de si e dos outros



Educar é ajudar no desenvolvimento de um ser, em florescer sua essência e potencialidades.

Educar não é moldar em um padrão. Não é criar cópias do educador. É respeitar o ser como o Criador o fez, ajudá-lo em sua autodescoberta e na sua descoberta do seu mundo ao redor e papel a desempenhar (Provérbios {Mishlei} 22:6).

Para o Criador, todos são perfeitos em essência, à imagem e semelhança dEle. Todos tem propósito e missão. Cabe descobri-las. E então, ajuntar-se a grande orquestra de diferentes essências e talentos existentes.

Não há só um tipo de beleza ou alvo desejado. As diferentes pessoas são como as diferentes plantas e flores. Precisam de condições diferentes para se desenvolver bem e se adaptar. Não estão em competição, mas em harmonia, quando cada um exerce a expressão do seu ser e habilidades plenamente. O conjunto é a orquestra do Criador. Não podia ser melhor e mais perfeita.

O ser humano pode produzir plantações uniformes, mas o Criador e a natureza criada são plurais e se relacionam em harmonia.

O ser humano deve aprender com o Criador a respeitar a identidade de cada um e o desenvolvimento de cada um. Abraçar o diferente, ajudá-lo e apreciar suas belas características, também à imagem e semelhança do Criador. Nem um de nós, seres criados, é o centro da criação. O centro e propósito último é o Criador e a manifestação de Suas boas, justas e belas características, das quais todos fazemos parte.

Se alguém ou algo está em perigo de não se desenvolver bem, não devemos descansar enquanto não ajudarmos aquela parte. Pois sem uma só parte, não há harmonia do todo. Algo está faltando, algo precioso que expressa de maneira única características do Criador que nós nem outros temos, nem somos capazes de manifestar.

Erroneamente no passado, estudiosos da natureza notificavam um mundo em competição, um em detrimento do outro, disputas e guerras. A história revela a destruição que disputas e guerras causam, tanto no desenvolvimento, quanto na extinção da vidaO caminho da vida, conforme entendo, é o contrário: é aprender a cooperar. Também é compreendido pela ciência que seres que cooperam entre si, conseguem melhor se desenvolver e lutar contra os desafios da sobrevivência. Não há guerra, há paz, e todos tem dignidade e contribuem sua parte a outros, e todos precisam uns dos outros, são interdependentes. Esse, entendo eu, é o verdadeiro caminho da vida. Não por utilitarismo e pela sobrevivência e vida em si, mas pelo objetivo genuíno do querer bem e no intuito de ajudar uns aos outros, encontramos o sustento e a vida. Realmente quem escolhe o amor e o cuidado dos outros e o andar em justiça, encontra a vida (Provérbios {Mishlei} 21:21). E o que se preocupa só com os próprios problemas e sobrevivência, terá dificuldades por fim.

O amor é  decisão que vem da alma e opera para a vida. Mas, o egocentrismo, o individualismo, o culto ao conhecimento, ao dinheiro, ao poder, à honra, às "conquistas" individuais, à fama, tem gerado destruição e morte em nossa sociedade. Tem gerado infelicidade e miséria tanto físicas quanto emocionais e espirituais. É preciso que o ser humano volte a funcionar com saúde na alma e no corpo. Para isso, é necessária uma decisão: amar e cuidar dos outros seres humanos e da natureza. Pensar no bem estar do outro e da coletividade. Não desistir de ajudar o menos favorecido, até que ele atinja condições de desenvolvimento para fazer parte da harmonia e cooperação social. Enquanto não alcançarmos esse objetivo o mundo continuará doente, pois está desligado de sua verdadeira essência, que é o amor.

Se cada um tivesse o compromisso do cuidado de si mesmo, mas também das outras pessoas e se preocupasse em ajudar uns aos outros, todos lutariam para encontrar soluções para os problemas conjuntamente. Em algum momento da história, o ser humano tem desistido de cuidar do próximo, com a desculpa de que ninguém cuidará dele. Assim tem escolhido o individualismo. Mas o altruísmo não vê outra solução de paz e vida que não seja decidir se doar pelas outras pessoas e também por si mesmo. Fazer sua parte na responsabilidade individual e também na coletiva, pois uma não ocorre sem a outra.

Ninguém nunca se fez sozinho no mundo. Todos recebemos desde bebês muito de muitas pessoas, de diversas maneiras. E ainda hoje, somos sustentados pelo trabalho de muitos. Ninguém basta  a si mesmo. O caminho do individualismo não tem fim. Gera individualismo que gera mais individualismo, e assim, mais e mais pessoas são excluídas da harmonia do todo, e o todo vai se tornando cada vez menor, menor, menor, uma elite, depois um pequeno grupo, e assim por diante.

O caminho da vida é o oposto. Se um indivíduo deseja se doar ao próximo, além de cuidar de si mesmo, tomando responsabilidade sobre si mesmo e também em ajudar os outros no que está em seu poder, esse ajuda outra a se doar ao próximo. O outro ajuda o outro, e assim por diante. Uma rede cooperativa vai se formando e cada vez mais pessoas são ajudadas e fortalecidas e conseguem melhores condições de vida e de desenvolvimento, e assim por diante, até incluírem todos. Então o sofrimento cessa. Todos tem dignidade e podem se desenvolver e desempenhar suas funções plenamente no mundo. 

Não é fácil o caminho da vida. Tem adversidades. Mas é o único caminho que constrói. Constrói mais amor e ajuda a construir o outro e todos cooperam e fazem parte. É difícil ter que lutar contra indivíduos que teimam quererem construir só para si mesmos privilégios, honrarias, "boas condições", "boa vida". 

Mas, uma vida egocêntrica, onde somente um ou poucos prosperam, é uma vida miserável, pois não há amor para os milhares que estão fora sem poder se desenvolver. É uma ilusão. Pode ser uma vida rica materialmente, mas por dentro, é espiritualmente miserável e infeliz. A riqueza, o poder, o sucesso, a honra, a inteligência, a intelectualidade ou qualquer outra coisa que esteja seduzindo o egoísta, já provaram seu poder de destruir vidas e gerar infelicidade. Pois a felicidade está em amar e ajudar outros a serem também felizes. E isso não vem sem integridade, retidão, amor, bondade, cooperação. 

Por isso, precisamos agarrar os valores éticos, o verdadeiro amor e justiça, e andar neles com toda nossa força e lutar por eles com tudo que temos e somos. Pois nisso está nossa vida e nossa felicidade, e tudo que semearmos e plantarmos na vida que não for para o intuito do amor e justiça, perecerá. Pois a natureza da sua própria intenção fará isso. Escolhemos, então, hoje a vida (como está escrito na Torá, em Deuteronômio caps.30 e 31). E a vida é o amor: não fazer para o outro o que não gostaríamos que outros fizessem para si mesmos (Levítico cap.19). Simples assim. Basta voltar a viver conforme a essência que Deus nos criou a todos.

segunda-feira, 8 de março de 2021

Todos os serviços íntegros feitos com amor são igualmente valorosos

  


 
Todos os serviços íntegros feitos em amor são igualmente valorosos: plantar o alimento, limpar, construir uma casa, medicar...se é  assim, então,
 porque tantos profissionais são maltratados, explorados até adoecer

   Por que tanta diferença de dignidade e condições de um trabalho entre as profissões? Quem é o cabeça ou o líder? O ser humano ou o dinheiro? 
    Por que não podemos decidir que não queremos uma sociedade assim onde o dinheiro dita os valores
    Resgatemos os valores éticos, o amor, a cooperação, o respeito, a dignidade, a justiça, a solidariedade a cada um. 

    Todo ser humano é uma alma pura com características únicas, dons e talentos específicos para se doar ao próximo e ao Criador.
    Sendo assim, a todo indivíduo deve ser dada a possibilidade de autoconhecimento e desenvolvimento do seu ser e de seus talentos.

    Se existe alguém desempregado é porque algo está errado na sociedade. Todos podemos ser integrados, se estamos unidos em um esforço cooperativo para trabalharmos para suprir nossas necessidades físicas, tais como morar, comer, dormir, lavar-se, etc.
Há necessidade do rompimento do individualismo em prol de ajudar o outro a se desenvolver.     

    Uma sociedade individualista está fadada ao fracasso. Pois todos somos interdependentes e necessitamos uns dos outros para suprir todas as nossas necessidades.

    Um semeia, o outro colhe a plantação. Um vende, o outro cozinha. Um ajuda a ter água apropriada para o consumo, outro lava e deixa tudo limpo. Um pesquisa e estuda para solucionar problemas da sociedade. O outro faz a prescrição dos medicamentos. E tudo isso tem a origem no Criador, que deu a natureza para cuidarmos e nos alimentarmos com sabedoria. Que deu os dons, talentos e saúde que nos possibilitam contribuir com trabalho.
Se, entretanto, conseguíssemos cooperar materialmente, mas sem ter no coração o amor no serviço que desempenhamos, e não nos importamos uns com os outros emocionalmente e espiritualmente, sentiríamos um grande vazio dentro de nós, pois fomos feitos para amar e amar nos faz felizes. 

    Um sistema de poder, dinheiro ou posição, que não se importa com os que receberam menos, os menos privilegiados, e não cuida de seu desenvolvimento, inevitavelmente fracassa.

    Um sociedade que não cuida dos mais carentes, negligenciando o seu direito de desenvolvimento e ser parte da cooperação que há no mundo, é injusta. Se um recebeu mais, deve ajudar o que recebeu menos (seja em condições e saberes emocionais, materiais, intelectuais, técnicos, etc), pois tudo vem do Criador, até que todos tenham suficiente dignidade de vida, a sociedade deve dar as mãos para resolver e consertar onde negligenciou. Onde lesou deve restituir. 

    Da mesma forma, os países que exploraram outros países devem cessar o ciclo de exploração e considerar o país mais carente um cooperador na construção de um mundo melhor. Certamente Deus dotou cada país com características importantes e únicas, com talentos, produtos e qualidades especiais que também expressam algo de sua sabedoria e supre algo das necessidades humanas.

    O Criador, Bendito seja Ele, embora sendo antes de todas as criaturas, não despreza, nem explora, nem usa, nem humilha nenhuma delas, antes a vê expressão especial, peculiar, de um subconjunto suas boas características. Assim é o amor que define o Criador, do qual todos seres humanos fomos criados à imagem e semelhança. 

    O amor se doa, o amor respeita e dignifica o próximo, cuida da sua honra, cuida das suas necessidades, não faz para o outro o que não deseja para si. Precisamos todos viver de maneira a dignificar o Nome do Criador na terra. Não devemos descansar enquanto a cooperação não extinguir a competição, a compaixão não substituir a dor, a justiça não der espaço para seres humanos usarem outros seres humanos em detrimento deles

    É necessário tomar uma decisão: Acreditar que o Criador é maior que a corrupção dos sistemas humanos e pode restaurar os que querem amar e viver em justiça e vencer seus opressores, ou desfalecer sem pedir o grito de socorro do oprimido, a quem Deus já prometeu escutar. Que seja um grito coletivo e bem alto, para que todos ouvindo, tomem parte. Um grito para o Criador que nos ajude a todos vivermos em amor e justiça e reconstruirmos uma sociedade amorosa e justa, digna dEle.

Quando Nossa Educação Deseduca

  A nossa educação deseduca sempre que ensinamos conhecimentos, sem instruir os valores éticos que devem dirigi-los. A nossa educação ...