sexta-feira, 29 de outubro de 2021

Focar em viver os Valores Éticos é essencial para uma Vida Construtiva e Feliz

 

imagem cedida por geralt em pixabay.com

Como devemos usar nosso tempo? Temos nesse mundo uma série de obrigações com respeito ao cuidado e sustento do nosso corpo, com vistas a suprir nossas necessidades materiais. 
No entanto, o mais importante não deve ser nunca perdido de foco: o amor e cuidado uns dos outros, mas não somente acerca das necessidades materiais, também das espirituais e emocionais. 
Servir uns aos outros, ajudar uns aos outros a sermos a cada dia mais amorosos e justos, é sempre o que dá sentido à vida: o amar e o colaborar para que o outro ame e se desenvolva e dê frutos de amor e justiça cada dia mais.

    Sem o mais importante, a vida fica sem sentido, já que não é o propósito de nossa vida neste mundo somente manter nosso corpo saudável e em bom funcionamento. Nossa boa saúde nos ajuda a servir melhor às outras pessoas nesse mundo, nos doarmos mais em amor no serviço ao próximo, com todos os nossos dons, talentos, condições materiais e também espiritual e emocionalmente.

Quando o foco da vida está em amar ao Criador de todo o coração, ou seja, amar ao próximo como a si mesmo, tudo que somos e temos dedicamos ao serviço do estabelecimento dos valores éticos (amor e justiça) no nosso e no coração das outras pessoas.

Alguém que cozinha ajuda a alimentar outras pessoas, amando-as e desejando que, com aquela necessidade suprida, o outro possa melhor dar de si para o Criador ele mesmo, servindo ao próximo em amor. O que costura ajuda a proteger o corpo do frio, e assim as pessoas podem servir melhor a Ele. Outros ajudam a construir as casas de que necessitamos para morar. Entretanto, só há sentido em cada pequena ou grande contribuição material se o coração de quem faz, se doa na intenção do benefício alheio em todas as esferas de seu ser. Quando somente conquistamos o sustento material, sem nos doarmos em amor para benefício do próximo, então parece que não há sentido no que fazemos.

Por outro lado, o mundo nos pressiona a excessivamente nos concentrar em consumir mais e mais produtos, a querer mais e mais coisas materiais, várias delas desnecessárias ou que não nos beneficiam. O amor de alguns ao dinheiro e o vício da ganância, aumenta a jornada de trabalho cada vez mais para ganhar o mesmo ou menos, muito embora o auxílio das máquinas deveria nos levar a ter mais tempo livre. Mas, a ganância do ser humano pode substituir o trabalho humano cada vez mais pelas máquinas e não se importar com a perda de emprego de seus funcionários e desalento de suas famílias.

Paralelamente, a internet e a enorme gama de notícias, informações e conhecimento disponíveis acerca de todo o mundo pode absorver o tempo e tirar o foco do mais importante e que está ao alcance de nossas possibilidades ajudar ou fazer: o cuidado e serviço de nossos familiares e dos que estão ao nosso redor que desejam nossa contribuição em suas vidas. É necessário investir tempo para os relacionamentos, para acolher o próximo, para compartilhar o que temos vivenciado e aprendido, e assim, crescermos juntos na direção de sermos mais amorosos e justos e conseguirmos juntos realizar maior contribuição para um mundo melhor. De outro modo, para onde estamos correndo e para quê? Todos os conhecimentos humanos construídos até hoje não foram nem serão suficientes para tirar o ser humano da insensatez e da destruição. Mas, escolher o amor e a retidão, faz-nos capazes de usar sabedoria os recursos que temos, a natureza e os conhecimentos parciais dos seres humanos.

O mundo realmente evoluído espiritualmente, não é onde todos cuidam só em salvar a si mesmos. Mas, o mundo onde os menos favorecidos, os menos preparados, também tem lugar e oportunidades para se desenvolverem. Que culpa as crianças e jovens têm da formação que lhes foi dada ou negligenciada? Cabe a sociedade suprir as lacunas para que aquela vida se desenvolva construtivamente.

No mundo evoluído, não há vitória individual, enquanto outros sofrem sem poder ter oportunidades de trabalhar e se sustentar, e assim ter vida digna. No bom coração, não espaço para não se importar com as carências e necessidades do próximo. Não há evolução sem responsabilidade social, onde cada um cuida somente em salvar a si mesmo. Pois, todos tem capacidades, dons e talentos, que podem ser desenvolvidos e treinados, fortalecidos e praticados em oportunidades de trabalho na sociedade. E com o trabalho, vem as demais construções da vida: casamento e família. Mas não só com trabalho, com trabalho sem explorar ninguém, com dignidade, sem passar por cima dos valores éticos que resumem o amor e a justiça. De outro modo, o sentido novamente se perde, e aí se perde tudo: o relacionamento saudável, as interações, nada pode ser verdadeiramente construído deixando amor e retidão de lado. Tudo que é construído fora desse foco, não permanece, é ilusão, perda de tempo. Com o tempo, perecerá.

Quando as pessoas se acomodam em não ajudarem uns aos outros porque o sistema é opressivo demais, ou, porque governantes são corruptos, então, já desistiram da vida significativa. É preciso que cada um faça sua parte no semear de um país e um mundo mais solidário. É preciso decidir não se calar diante da opressão do nosso próximo. É preciso dizer não! Não vamos vender, nem negociar valores éticos. Sim, vamos pedir ajudar internacional, se necessário. Mas sobretudo ao Criador, e fazer a parte que está em nosso poder. Vamos viver em um mundo onde nossas ações possam ser sempre de amor e de retidão, e nunca enganar, manipular, destratar, desrespeitar, muito menos, tirar vantagem para sobreviver. Esse tipo de sobrevivência não faz sentido. Além de que tudo que danificamos será necessário assumir a responsabilidade em reparar, cedo ou tarde. O ser humano é feliz quando está amando e servindo verdadeiramente ao próximo, ajudando-o, contribuindo para algo que realmente o beneficia, tanto materialmente quanto espiritualmente. Quem tentar enganar ao próximo, na verdade, está se iludindo, enganando a si mesmo.

É preciso acreditar que mesmo seres humanos pequenos, mesmo indivíduos simples e sem poder, fazem a cada momento a diferença entre o justo e o injusto, o amor e a indiferença ou a exploração. Em cada momento, podemos interagir fazendo o bem e construtivo, ou causando dor e sofrimento. Está na esfera de decisão de cada um ser coerente ou não com o que chama amor e retidão.

É possível criar redes de cooperação e solidariedade para mútua ajuda. É possível denunciar e fiscalizar qualquer corrupção, seja nas leis, no tratamento de recursos ou na ação. É preciso acreditar que há um Criador que é maior que um sistema opressor, como foi maior para os hebreus quando os tirou das mãos daqueles egípcios que eram mais fortes do que eles.

É preciso acreditar que está seguro aquele que não abre mão de sua integridade, do amor e da retidão. E que os corruptos, os ladrões, os que exploram os trabalhadores, não terão bom futuro caso não se arrependam, pois, o Criador assim promete em Sua Bíblia. É questão de tempo. É questão de escolher os valores e não abrir mão por nada. E não ter medo de nada, a não ser de largar mão deles, pois, eles são o sentido: ser amoroso e ser justo. Os que se afastam desses valores, cedo ou tarde cairão sem retorno. Não percamos tempo! Fé e coragem para fazer uso do tempo em serviço ao próximo, com amor e justiça!

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Onde está o amor?

 

O amor brota no anseio do desenvolvimento do outro

Nasce no anseio por sua frutificação

Concretiza-se na ajuda nessa direção.


O amor se estabelece, primeiramente, no pensamento

É uma escolha a ser reiterada a cada momento

Um querer bem que à outra alma aproxima

Uma decisão de abrigá-la dentro de si

em uma atitude que reconhece seu pertencimento

à rede de cooperação entre os seres chamada Criação;


O amor acolhe e acaricia o outro ser no coração

dando-lhe respeito e consideração

da dignidade intrínseca de cada ser

formado pela fonte de bondade, o Criador.


O amor empresta o coração para sentir e pensar no lugar do outro,

como se um só fosse

Decide agir em prol e acolhe em aceitação, mesmo com toda sua imperfeição

Concede a confirmação do seu direito ao desenvolvimento e ao amadurecimento.


O amor é amigo, espera e reza pelo crescimento do outro.

Silencia-se quando não há abertura do seu amado para receber ajuda.

Aguarda com esperança em oração ao Criador.

Acolhe conforme a necessidade,

sem no entanto, dar suporte ao erro.

Aguarda o momento de semear, evitando magoar.

Consola o ferido, espera seu tempo,

de acordo com sua maturidade e caminho contribui,

se houver chance dele ganhar entendimento.


O amor não julga a outra pessoa,

embora enxergue e pese suas atitudes,

e perceba quer sejam positivas ou negativas,

construtivas ou destrutivas.

Aguarda o certo momento,

onde possa haver crescimento

para com carinho compartilhar,

o que possa gerar maior entendimento,

futuros discernimentos e boas decisões,

que tragam boas consequências e felicidade.


O amor também é humilde,

embora seja doação por definição,

dá ao outro o mesmo gosto de realizar esse preceito,

recebe instrução e ajuda,

busca melhorar para poder a outros mais beneficiar

Pois todos seres criados são limitados e necessitados

de sabedoria.

Mas quem quer amar aceita reconhecer suas lacunas e

falhas, para se doar com maior perfeição,

trazendo mais excelente benefício a outrem,

ao amigo com quem interage,

e assim ver sua felicidade e se alegrar

com seus benefícios.

Querer ser melhor para toda a humanidade

é amor de verdade

pois a justiça não está na parcialidade,

e o amor e a justiça andam de mãos dadas

para beneficiar em serviço ao próximo,

e sem acrescentar qualquer dano ou destruição.

Buscar amar é aprender a bondade na prática de cada situação

para não causar a ninguém tristeza, nem dor nem sofrimento,

nem prejuízo de espécie alguma.

Sem cuidar, não há amar, e amar é se importar

É também se responsabilizar e agir em benefício,

naquilo que cabe a cada um em sua influência,

conforme seu poder, capacidades, talentos

e oportunidades.




terça-feira, 24 de agosto de 2021

Mulheres: Diferentes, mas de igual valor

 

A sociedade ocidental (e, talvez, outras sociedades também) vem vivendo uma crise na instituição do casamento, que se repercute na família e na sociedade. A crise do casamento demonstra a dificuldade ou inabilidade do casal em estabelecer relacionamentos saudáveis, funcionais e harmônicos, onde a paz, a justiça e a felicidade predominam em seu lar.

Uma das causas dessa crise no casamento tem sido o abuso de autoridade do marido para com a esposa. No passado, isso era possível, pelo homem ter estado na posição daquele que traz dinheiro (provisão) para a família, mediante o trabalho fora de casa. A mulher pode ter se sentido desvalorizada em seus esforços e trabalhos domésticos, por esses não serem remunerados, e/ou pela falta de reconhecimento do valor desses em seu próprio lar, e/ou, na sociedade.

A mulher, como qualquer outro ser humano, gostaria de ser considerada de igual valor aos outros seres humanos. Parece que o conceito do valor de um ser humano, em vez de estar vinculado solidamente à essência do seu ser, atrelou-se ao dinheiro ou bem materiais que a pessoa produz. Afinal, por que o ser humano que vive na prática dos bons e justos valores, ajudando conforme suas possibilidades, não seria tão valoroso como qualquer outro que busca o mesmo?

Vários direitos que os homens possuíam, não eram concedidos às mulheres, como o direito de votar, o direito de dirigir, o direito a trabalhar fora de casa, etc. No passado, em algumas civilizações, a mulher não tinha direito de ser uma testemunha para depor em um tribunal. A mulher não tinha autonomia. Ela era parcialmente capaz perante a sociedade, necessitando de permissões do marido. Se o esposo fosse um bom líder, não dominador, respeitoso, e ela fosse valorizada como lhe é devido, ela podia ter um bom casamento e uma vida feliz. Mas, e se ele fosse um opressor, um líder dominador ou a maltratasse? Então, ela estaria refém dele, sofrendo dentro de uma prisão, sem ninguém para ajudá-la, pois, seu suposto ajudador (seu marido), tinha plenos poderes sobre ela, sendo responsável por ela perante a lei, da mesma forma que um pai é por sua filha solteira, e a sociedade lhe dava ouvidos através do marido.

Mulheres, sabendo de casos de opressão de outras mulheres, começaram a se unir e se organizar para ajudá-las a se libertarem de seus maridos que as oprimiam ou agrediam. A aquisição de autonomia das mulheres foi necessária devido a abusos de autoridade cometidos por seus maridos. Mas, não somente devido a isso. A mulher gostaria de ter sua opinião como cidadã respeitada sobre política e na sociedade, em geral. Várias mulheres tinham o desejo de estudarem mais para poderem ajudar a sociedade em outras áreas de trabalho ou atuação, além das tarefas domésticas ou das profissões consideradas femininas naquela época. Para isso, precisavam da autorização de seus maridos e que a sociedade lhes desse oportunidades de estudo e atuação nas diferentes áreas, que, até então, eram estritamente masculinas.

Nesse sentido, essa mobilização das mulheres, chamada “movimento feminista”, passou a lutar pela independência da mulher em relação ao seu marido, para garantir proteção a elas de seus maridos abusadores ou violentos, e pela sua autonomia de forma geral e aquisição de direitos iguais aos dos homens (sem necessitar da permissão do marido, tal como uma criança – ao que se dá o nome de “emancipação feminina”), como o direito ao estudo, ao trabalho remunerado, ao voto, a dirigir, enfim, a realizar suas escolhas individuais de maneira autônoma e em igualdade com os direitos dos homens. Muitas vezes, a mulher havia sido considerada não tão capaz quanto o homem para realizar determinadas funções. Na medida em que as lutas por oportunidades de estudo e atuação em diversas áreas sociais foram sendo vencidas, as mulheres têm se mostrado muito capazes, desde então.

A mulher não quer ser reduzida à posição de escrava nem ser um objeto de uso de seu marido., nem de ninguém. A mulher, como esposa, é uma ajudadora, que deveria ser honrada por seu marido, pois ela o completa e é parte fundamental na construção do lar e da família. A construção do lar envolve tarefas físicas, mas também relacionais e educacionais, pois requer sabedoria relacional e educacional, e vivência de valores éticos (comportamento ético e controle sobre suas emoções e reações) que seja modelo educacional. Exige dedicação e aprendizado nessas áreas. Ninguém quer ser reduzido, nem usado. No casamento, ambos devem servir um ao outro, se doando em amor, em ajuda mútua e na construção comum do lar, que deve ser um ambiente de respeito, paz, afeto, valorização e ajuda mútua e amor, onde pessoas podem se desenvolver e amadurecer. Ambas as partes, marido e mulher, são igualmente valorosas e fundamentais para essa construção do lar, embora possam ter talentos e funções distintos.

Todas as colaborações e cooperações em sociedade devem considerar que todos são igualmente valorosos (intrinsecamente, em sua essência, todos os seres humanos foram feitos à imagem e semelhança do Criador, que é sempre bom, conforme a Bíblia Hebraica (antigo testamento)) e contribuem, dentro de suas possibilidades, dons e talentos, para uma construção comum. Mesmo que haja um líder, o valor do liderado não é menor que o valor do líder. Eles realizam funções distintas e que se completam. Todos somos interdependentes desde bebês até a velhice e na morte.

Toda relação utilitarista não é uma relação de amor verdadeiro. Pois, o amor verdadeiro se doa pelo próximo, sem o desejo de se aproveitar dele ou de usá-lo para determinado fim egocêntrico. O amor se doa naquilo que contribui para que o outro seja pleno e feliz, no exercício e expressão do seu ser (em amor e justiça), dos seus dons, talentos e cumprimento de suas missões no mundo. Quem ama cuida para que nada falte a pessoa amada daquilo que ela realmente necessita como ser humano.

A história sobre a aquisição de direitos da mulher em igualdade com os direitos dos homens, pode nos ajudar a refletir sobre essa tendência do ser humano a dar maior valor às atividades e pessoas mais bem remuneradas, ao dinheiro em si. Isso não corresponde à realidade, pois há muitas bondades e serviços que não são contabilizados nem recebem recompensa financeira ou talvez nem sejam vistos por outros olhos humanos, mas são essenciais. Aliás, o mundo é sustentado pelos atos de bondade, de doação pelo próximo, sem ter intenção de receber nada em troca. E eles não são, muitas vezes, remunerados, são dados gratuitamente, sem interesse, por amor.

Da mesma forma, o casamento também não pode ser sustentado verdadeiramente, sem amor doador. Muito desses serviços podem ser erroneamente considerados sem (muito) valor para pessoas ou para sociedade, pois não são pagos, mas os valores éticos vividos fazem com que se construa o lar, local fundamental para dar condições ao desenvolvimento e crescimento humanos apropriados (o lar é, de certa forma, a incubadeira da sociedade). E, de muitos lares saudáveis se constrói uma sociedade harmônica e cooperativa. Talvez, seja exatamente a correção dos valores e das ênfases dos nossos tempos e esforços que deva ser realizado, para que nossos casamentos, famílias e sociedades sejam mais humanas, mais pacíficas, mais valorizadoras do diferente delas, mais respeitadoras da doce harmonia da cooperação de uma grande família onde todos são igualmente valorosos e importantes na construção comum.

A mulher deve se respeitar e se grata pelo ser que é, na bela essência que a caracteriza, e pelas capacidades que recebeu do Criador. A mulher, em particular, foi dotada de uma habilidade especial que consiste na capacidade de gerar filhos em seu próprio corpo. Mas, isso não a resume, nem a seus talentos e características. É parte de seu potencial. Nenhum ser humano é igual a outro em suas características, talentos e dons, mas, todos têm o mesmo valor, em sua essência. A mulher não é fisicamente igual ao homem, nem deve tentar ser igual para ter o mesmo valor. Ela tem o mesmo valor, mesmo que alguém não o reconheça. É um problema dos olhos de quem vê, dos valores, desejos e interesses que a pessoa abriga no coração. Também, a solução não está em diminuir ninguém, nem mesmo se a pessoa tenha sido opressor. Se foi um opressor, machucou primeiramente a si mesmo, à sua essência, além de outras pessoas.

A solução está em não deixar que coisas ou circunstâncias como o poder, o status ou o dinheiro definam os valores da sociedade. Quem coloca essas coisas acima do amor, da justiça, da alegria de servir ao próximo para benefício dele, não pode ter uma vida significativa, feliz e construtiva, seja no âmbito conjugal, familiar ou social.

Outro aspecto a ser refletido é o fato de que ambos do casal trabalhando fora de casa, muito provavelmente, não tem mais tempo para se dedicarem à educação dos filhos como antes. Especialmente, a mulher é frequentemente sobrecarregada, pois, além do serviço doméstico, tem que dar conta do trabalho fora de casa e da educação dos filhos. É muito fácil perceber que uma pessoa que se dedica jornada integral de trabalho, dificilmente poderá até mesmo cuidar dos afazeres domésticos apropriadamente. Pode ser que, para isso, faça uso dos finais de semanas, das folgas, feriados e férias para pôr em dia o que não teve tempo para resolver durante as semanas de trabalho. O tempo dedicado aos filhos, o acompanhamento apropriado de que eles necessitam, as oportunidades para conversar e receber instruções para a vida ou desfrutar de atividades familiares saldáveis é muito reduzido. Isso, se o ambiente em casa for harmônico e funcional.

A consequência da sobrecarga de trabalho da mulher, e, às vezes, também do homem, é falta de desenvolvimento apropriado das novas gerações, a falta de orientação e educação apropriada dos filhos. As crianças e adolescentes estão cada vez mais a mercê das informações que encontram nas mídias e redes sociais, sem ter com quem dialogar sobre elas mais intimamente, e assim desenvolver consciência crítica, sólido alicerce de valores éticos, etc. A escola não aborda todos os assuntos e problemáticas com os quais as crianças e adolescentes se chocam. E lá fora, o mundo está bastante confuso, e muitas vezes, com valores distorcidos pela valorização do dinheiro, dos bens materiais, do poder, da posição social (status) e da honra de uns em detrimento dos demais. Isso, sem mencionar a crise escolar, principalmente da escola pública brasileira, da sua falta de estrutura para lidar com as demandas, a desvalorização da educação pelo país e de seus profissionais, e a dissociação de alguns modos e conteúdos escolares com as necessidades humanas e os problemas da vida real dos alunos, suas famílias e comunidades.

Portanto, a questão da valorização da mulher requer que a sociedade como um todo reflita sobre os valores que vem escolhendo e quais são as metas para o futuro. Seria sábio que nos lembremos que os valores das pessoas não estão em questões circunstanciais de exercer ou não atividade profissional remunerada, por exemplo. Mas cada ser humano tem valor intrínseco e é único, com uma combinação de características únicas, talentos, dons e capacidades, conforme suas missões a realizar. Cada um tem missões únicas a realizarem, as quais outras pessoas não são capazes de fazer. Há, portanto, a necessidade de compreender melhor que não devemos estar em competição, mas em cooperação, pois, todos somos interdependentes e precisamos de muitas coisas para nossa sobrevivência e desenvolvimento, para suprir nossas necessidades humanas e desempenhar nossas missões.

Esse pensamento se aplica mais precisamente na área do casamento, no entendimento de que todos temos fraquezas e fortalezas em diferentes áreas. E essa é a beleza da diversidade com que o Criador fez o mundo. Se a mulher é capaz de gerar filhos dentro de seu corpo, isso é um dom maravilhoso que não deve ser diminuído em relação aos demais. Seus hormônios podem fazer com que seja mais emocionalmente vulnerável às vezes, o que não tira de forma alguma sua beleza e valor. Além disso, a mulher pode ter missões de contribuição não somente na esfera familiar, mas também na sociedade como um todo, remuneradamente ou não. O foco é que um cônjuge ajude ao outro a se desenvolver e usar seus talentos e dons para contribuir ao máximo para a família e sociedade.

Devemos ser ajudadores uns dos outros e não competidores. A comparação e a competição não fazem nenhum sentido. Cada um é único e possui única combinação de características essenciais, dons e talentos. Por isso, a missão de cada um, só cada um pode desempenhar da forma única como faz. É importante que todos sejam plenos e genuínos e tenham liberdade para isso, na multidão de diversidades de características, talentos e dons que existem. Também a mulher que deseja se dedicar somente a seu lar deve ter liberdade e valorização para mergulhar em sua missão, sem sofrer preconceitos ou julgamentos negativos. Cabe a nós escolhermos ter a mentalidade de como ajudamos a construir os outros (que são diferentes de nós), sem diminuí-los, dominá-los ou oprimi-los.

A competição não faz sentido, pois todos devem ter direito ao trabalho remunerado e ao sustento. Algumas pessoas impossibilitadas são exceções. Mas, elas não deixam de poder também brilhar com suas contribuições, de outra maneira, à sociedade. Não deve haver espaço para a diminuição de um ou a exaltação do outro. Todos temos igual valor intrínseco. É só focarmos nas nossas potencialidades em amar e fazer boas e justas ações que somos todos muito frutíferos e férteis em diferentes áreas. Precisamos nos responsabilizar por ajudar uns aos outros para que ninguém esteja excluído do cuidado social e da rede de cooperação que deve funcionar harmonicamente. Para isso é necessário reconhecer os valores intrínsecos e iguais nos seres humanos, e perceber a rede de contribuições mútuas da qual todos interdependemos. Na natureza, a cooperação em que todos participam também é essencial à manutenção da vida. Qualquer prejuízo de uma parte dessa cooperação, prejudicam todo o ecossistema.

Da mesma forma, esposo e esposa são complementares e interdependentes na formação de um lar harmônico em que todos sejam igualmente valorizados e tenham espaço para se desenvolverem plenamente. Precisamos, para isso aprender a respeitar e amar o diferente de nós, apreciando seus dons e características que nós não temos, em vez subjugá-los, diminui-los ou julgá-los desfavoravelmente. Assim, aprendemos e crescemos uns com os outros em liberdade de escolhas e iremos numa direção construtiva nas relações conjugais, familiares e sociais. Pois, não podemos esquecer que é do lar construído por um casal que gera novas pessoas, e de diversos lares e constitui a sociedade. Então, precisamos pensar com carinho como estamos ajudando ou não as crianças a se prepararem para a vida em sociedade, dando a elas os subsídios, suporte, amor e cuidado comprometidos com suas necessidades básicas humanas.


*agradecimento ao desenhista da pixabay.com que gentilmente cedeu a ilustração deste artigo.

terça-feira, 13 de julho de 2021

Educação é Reflexo da Prática dos Valores Éticos e Responsabilidade Social

 


Acredito em uma educação onde a liberdade e o respeito ao indivíduo e seu desenvolvimento devem ser prioritários. Certamente é importante que as pessoas sejam alfabetizadas nas diferentes áreas do saber para que o indivíduo consiga participar ativamente do debate e das decisões da sociedade e do país em que vive. Mas, será que a população participa das decisões do país? Deveria, segundo os princípios constitucionais embasados na democracia. Democracia é o regime político onde os políticos deveriam expressar em suas atuações as vontades do povo que os representa.

Na minha percepção, a democracia no Brasil, em certos aspectos, não é ainda uma realidade do ponto de vista prático. Acredito que o povo não está a favor de jornadas estendidas de trabalho, da exploração do menos favorecido, da indiferença às necessidades da população, da desvalorização das profissões que não usam somente o intelecto, como as de agricultor, jardineiro, técnico em saneamento básico, lixeiro, etc.

Parece que a estrutura dos interesses de alguns grandes proprietários de terra, alguns políticos e alguns dos que concentram grande quantidade de riquezas acabam sempre oprimindo os trabalhadores que não possuem bens materiais. Assim, o país vem se perpetuando em oprimir o pequeno em prol do grande. Também ocorre com o professor, com suas precárias condições de trabalho, salários e da forma desrespeitosa como o governo trata o professor, principalmente no primário e secundário.

Tudo indica que os interesses de lucro dos grandes e poderosos continuam condenando os mais simples à vida sem dignidade, sem respeito, com angústia para pagar as contas, talvez, até com dívidas ou ameaçada pela falta de dinheiro. Não há consideração, as pessoas temem não conseguir sobreviver ou não terem uma qualidade de vida razoável.

O Brasil é um país em que o medo da exclusão social ou de viver em situações precárias é cada vez maior para pessoas capazes e com bom nível de estudo. As pessoas são oprimidas por um sistema onde o dinheiro e o lucro de alguns faz a vida ser miserável e penosa para grande parte do povo. Como eles fazem isso? Fazendo a maioria do povo trabalhar duro e por grande parte de tempo e produzir cada vez mais, sem remunerar de maneira digna e respeitosa, de modo que o sujeito e sua família temem não dar conta dos custos básicos da vida. O governo não põe limite nos abusos de como as empresas tratam funcionários e até clientes, pois ele mesmo maltrata sua população.

São os filhos dos trabalhadores explorados e sofridos que lutam para sobreviver no dia a dia e não tem tempo para seus filhos, que vem à escola pública brasileira. Nessa escola, a criança é cada vez mais exigida a conhecer a história do conhecimento humano e dominar as ferramentas básicas de cada disciplina.

Esse indivíduo em crise, que quase não vê seus pais (pois estão trabalhando, às vezes, em jornada dupla, ou com dois trabalhos, ou com um dos pais desempregados) e, quando os encontra testemunha sua batalha e angústia, que vem à escola. É requerido dele que tenha “cabeça” para aprender diante dos problemas que está inserido no seu lar e na sociedade. Na escola, são apresentados sistemas e conhecimentos que teoricamente “funcionam”, como se tudo estivesse bem, mas lá fora, tudo está mal. A sensação da criança ou indivíduo é, portanto, de que a escola é uma mentira. Pois, a realidade é a que ela vê todos os dias em seu lar, em sua vizinhança. Na sua frente, ela vê um professor que ela sabe que é explorado e maltratado pelo governo. Se o governo trata mal o professor, porque a criança lhe trataria bem e lhe daria ouvidos? O professor não é suficientemente valorizado para conseguir dar as suas aulas em paz, sem ficar preocupado com as contas que tem que pagar e estressado com sua carga de tarefas.

A criança, quando pequena, pode ser enganada, achando que a vida é como os desenhos animados que ela encontra na televisão. Mas, depois que cresce um pouco e os problemas antes encobertos pelos adultos são revelados, a escola não faz nenhum sentido.

Outro problema é que talvez essa criança não seja escutada por ninguém. Em casa, os pais não têm tempo. Na escola, os professores também não têm tempo de acompanhar o desenvolvimento e o crescimento de nenhum aluno. São aproximadamente quarenta em cada classe. A indisciplina e falta de respeito com o professor é enorme. Em certas escolas, o professor não conseguirá nem iniciar sua aula, pois os alunos conversam alto e o ignoram. O professor vai de uma classe à outra o dia inteiro. Quando chega em casa tem que corrigir lições de casa e provas, e preparar as aulas do dia seguinte.

Então, é possível que algumas dessas crianças e adolescentes para os quais a escola é uma mentira, também não queiram ouvir o governo que oprime ou deixa oprimir seus pais e professores, representada por eles. O aluno não é ouvido. Se tiver um psicólogo, coordenador ou diretor na escola é algo positivo. Às vezes eles estão no segundo emprego, às vezes, sei lá onde. Em resumo, muitas vezes não estão lá quando se precisa. E bedéis? Quando existem, talvez estejam tentando conter a revolta, o uso de droga, etc, e outros problemas. Talvez estejam no seu segundo emprego ou bico também, para conseguir completar o pagamento de suas contas. Talvez tenham sido ameaçados de morte por alguns alunos. Talvez estejam com depressão, por trabalhar em um sistema de contenção de alunos e saber que não estão se desenvolvendo como deveriam....

Quando o professor consegue conter um pouco da indisciplina, apresenta o conteúdo e exige o conhecimento. Alguém perguntou ao aluno o que ele gostaria de aprender? Será que ele sabe para que serve? Qual a relação dos conteúdos com as necessidades humanas? Não. Tudo é geralmente alheio a seu mundo e teórico. Ele é exigido, exigido, e está sempre devendo. Desde que saiu do jardim de infância até o fim do segundo grau, mais, mais, tem que passar de ano, tem que tirar diploma. Para que? Para ter emprego. Por que? Porque todos têm que ter diploma escolar para conseguir emprego.

Diante desse quadro, gostaria de apresentar aqui uma outra proposta de educação. Uma proposta onde a educação seja centrada nas necessidades humanas. Onde o ser humano, não seja respondido com respostas como: “nossa sociedade é assim”. Mas pense, junto com o professor, como o ser humano tem lidado com a natureza e uns com os outros, para ter suas necessidades básicas atendidas. É necessário que através do diálogo que relaciona o mundo real e os conhecimentos, os problemas reais da sociedade sejam trazidos e as soluções que vem sido tomadas e suas consequências sejam avaliadas, em seus aspectos positivos e negativos.

É necessário que o indivíduo entenda como a sociedade atual tem resolvido seus problemas para sanar suas necessidades básicas e quais são as diferentes possibilidades de resolução que se encontram hoje no mundo. A educação deve ser um convite à participação do conhecimento elaborado, mas não somente isso. Esse conhecimento deve ser problematizado e dialogado (de acordo com Paulo Freire1). Mas, essa análise deve ser feita em termos do quê? Compreender os conhecimentos desenvolvidos e as necessidades humanas a eles relacionadas. Pesar a possível aplicação dos conhecimentos à realidade prática e suas consequências à luz dos valores éticos que a sociedade escolheu viver. Se a educação elaborada no nosso país é estudada para obter empregos mais bem pagos, ela não vai fazer sentido, principalmente se o profissional, para isso, tiver que corromper os valores éticos nos quais acredita, em prol do status quo de uma sociedade que concentra renda nos mais favorecidos e não se responsabiliza do cuidado dos mais fragilizados a ponto de sanar suas carências e resolvê-las.

Informação por informação, o conhecimento elaborado não faz sentido, ao menos que ele esteja submetido aos valores éticos que realmente construam uma sociedade que se importa com o próximo, não uma que explora e exclui às margens os que nela não se ajustam. Também conhecimento sem compreender para que serve em relação às necessidades humanas e da natureza, também não faz nenhum sentido. Elaborar sem saber para que, como se usa na prática e se está de acordo com os princípios éticos é muito vazio e destituído de sentido. Aliás, a alienação da natureza e a não compreensão da relação das tecnologias com ela e com as necessidades humanas, também não faz sentido. O ser humano necessita do contato com a natureza. Privá-la desse direito e necessidade humana é, no meu ponto de vista, um grande crime. O ser humano deve estar em harmonia com a natureza e com os outros seres humanos, para que haja uma sociedade em que há paz e construção. Teorização sem a natureza provoca alienação elaborada.

Todas as pessoas têm diferentes potenciais e talentos, e podem ser treinados seja no que for, para terem suas profissões e através delas colaborarem com a sociedade. A exclusão social não se justifica. Todos, com gravíssimas exceções, são capazes de colaborar para a sociedade de acordo com suas capacidades e talentos e serem remunerados dignamente para tal. O direito de todo ser humano ao trabalho que provê vida digna deve ser protegido (e os que não podem trabalhar devem ser supridos em suas necessidades pelo governo e colaborar à sociedade da maneira que lhes é possível).

Mas, quem está ajudando o aluno a descobrir a si mesmo e seus talentos, e a saber como pode ser através deles alguém atuante para construir uma sociedade cooperativa e que respeita e valoriza um ao outro, em vez de deixá-lo sozinho, “na mão”? Quantas pessoas hoje estão trabalhando informalmente ou em bicos, pois, embora tenham estudado, a sociedade não está provendo condições para elas exercerem seus potenciais em completude? E se não está, por que não está? Qual é o foco dessa crise e como saná-la? Ignorar as alarmantes questões da sociedade e dos pais das crianças em idade escolar, é ignorar a criança e seu próprio futuro.

O objetivo da escola deveria ser ajudar o aluno a se conhecer e descobrir seus talentos e dons, para que se desenvolva autenticamente e nas suas relações com o próximo. Isso conjuntamente com o conhecimento sobre a natureza e o ser humano e suas necessidades, deve propiciar que ele consiga, aos poucos, vislumbrar como ele pode cooperar e ajudar aos outros através do comportamento ético e conhecimentos adquiridos, conforme esses dons, talentos e sua missão específica.

O que a criança recebe são exigências, exigências, e mais exigências, Como ela se verá como alguém que faz parte da construção social? E se ela não faz parte, então ela buscará achar aonde ela faça parte e seja bem tratada e valorizada. E talvez seus líderes não a guiem em um caminho justo e feliz, e só a usem para seus próprios interesses. Talvez até ela se corrompa, porque a política da indiferença não é aceitável. Ela abandona as pessoas carentes de direção e experiência.

Afinal, para que serve a educação escolar pública? Para dar merenda? Para alguém estar com as crianças ou adolescentes enquanto seus pais trabalham? Para uma criança influenciar a outra, e todos estarem sem direção para resolverem suas vidas e a vida de suas famílias? Vejo essa criança sozinha e muito exigida, e ela geralmente não sabe para que e por quê. Para agradar os pais? Para receber o diploma? Talvez o sistema de educação seja um grande desrespeito às necessidades das crianças e suas famílias. Se a escola representa os valores do governo em mercadejar tudo e não tomar responsabilidade pelo seu povo, e os valores éticos forem todos vendidos, não há sentido em nada. Esse é o caos do contexto da criança e adolescente em idade escolar no Brasil hoje. Talvez haja exceções. Mas, isso é natural, porque os problemas dos pais naturalmente afetam os filhos e o lar.

A sociedade diz ao jovem que ele está em um lugar onde não há respeito, consideração, nem cuidado com as pessoas e suas necessidades. A sociedade diz ao jovem que seus rios são poluídos pelas empresas e empresários sem consideração com a população. A sociedade diz ao jovem que há corrupção para todos os lados, no governo, nas empresas. O egoísmo e corrupção reinam em diversas instituições da sociedade, pois não se põe limite na injustiça, no maltrato e na opressão. A sociedade diz ao jovem que todos estão competindo e preocupados em salvar a si mesmos, em um sistema individualista em que raramente um ajuda o outro a se desenvolver.

A sociedade diz ao jovem que vivemos com medo dos bandidos, que são, cada vez, em número maior. A sociedade expõe a criança à nudez, sensualidade e imoralidade pelos veículos de publicidade, imprimindo terríveis valores materialistas, vaidade e imoralidade. E o país é um salva-se quem puder, onde os poderosos e ricos oprimem os pequenos. Ninguém acredita em políticos e todos estão sozinhos. Ou seja, o número de problemas que estamos delegando a esses jovens é enorme, e consequentemente, seu sofrimento.

Mas, porque estão sozinhos? Por que não cooperamos? Por que cedemos ao egoísmo? Por que um sistema competitivo e desumano foi se estabelecendo com cada vez mais força, oprimindo os trabalhadores e desvalorizando-os? Mas, se todas as profissões são importantes e todos precisam dos trabalhadores braçais e os intelectuais, por que um vive com dignidade e outro não? Às vezes os oprimidos cansam e se deixam seduzir por propostas ilícitas como narcotráfico ou outros sistemas imorais de lucro. Aí eles morrem, golpeiam ou matam, por dinheiro, ou para não serem humilhados, o que, no entanto, não é um caminho justificável. Mas, não acreditam em um sistema que o abandonou, e às vezes têm dificuldade em encontrar outra solução em seu mundo de problemas reais.

O indivíduo está sozinho desde criança. Não há condições para seu desenvolvimento saudável, para sua participação, por consideração à sua pessoa como um novo contribuinte e integrante da sociedade. Ele é exigido, exigido, tirar notas, passar, passar. Está sempre devendo. É “workaholic”, ou melhor “sobrecarregado em estudos e trabalho desde a infância, numa sociedade que explora e não cuida”. Pois, os conteúdos e assuntos são infinitos e pouco digeridos em seu contexto real. Não é a quantidade, mas a qualidade de reflexão e contextualização com a vida real do aluno e da sociedade que torna frutífero e motivador o estudo vinculado à resolução de problemas para a construção de um mundo melhor. Aí entra o estímulo ao aluno a se conhecer e a seus talentos, para compreender no que tem dons e facilidades para colaborar socialmente nessa construção.

E o aluno: Quem ele é? Quais são seus talentos? Como pode ajudar a sociedade? Ele não sabe. Por quê? Porque a sociedade não dialogou, não ensinou para a vida prática, não transmitiu valores éticos como prioridade. Não teve tempo para saber. Encheram o tempo dele com um conteúdo infinito e que muitas vezes mentiroso e hipócrita, pois finge que há uma sociedade que funciona, enquanto a verdade é que a cooperação e a sociedade se convergiram para um egocentrismo em função do dinheiro e da capitalização dos maiores e sofrimento dos menores. Deveria ele confiar nas pessoas que dão suporte a um sistema como esse? O bom-senso responderia: “não”.

Em resumo, é necessário uma educação em que os conhecimentos estejam em função dos valores éticos para construção de uma sociedade íntegra. Conhecimentos devem responder às questões dos alunos de como o ser humano tem suprido suas necessidades básicas (dentre as quais o psicólogo Marshall Rosenberg cita as necessidades de: autonomia, interdependência, integridade, nutrição (atrelada à segurança), brincar, celebrar e ter comunhão espiritual2) e por que aqueles conhecimentos foram desenvolvidos, quais suas consequências positivas e negativas.

Em nossa sociedade, a tecnologia e o conhecimento, por vezes, tem sido usados sem serem pesadas em seu impacto na sociedade. Por isso, é muito importante recolocar a importância e centralidade da prática dos valores éticos na sociedade, do respeito, da valorização mútua, da cooperação, da solidariedade e ajuda mútua. E isso se concretiza através de uma comunidade na escola e fora da escola que se mobiliza para cuidar e ajudar de suas necessidades, com o suporte do governo. São necessários um governo e uma atuação social responsável uns para com os outros. São necessárias escola, comunidade e sociedade atuantes, que pratiquem e cultivem os valores éticos: o respeito, a consideração, a solidariedade, a cooperação e ajuda mútua.

Alguns exemplos de como os valores éticos são transgredidos são, por exemplo: como as empresas e governo tratam seus empregados, como o governo não evita a poluição dos rios nem a devastação das nossas florestas, como os bueiros das ruas estão cheios de lixo por falta de colaboração da população com o trabalho do lixeiro, como as companhias telefônicas e serviços tratam o consumidor e com tarifas cada vez mais exploratórios, sem que se coloque limite nos abusos. Enfim, um desrespeita o que é do outro e a natureza… o egoísmo e venda de valores éticos em prol do dinheiro reinam. Como então falar em educação nesse contexto para os mais novos, se a desmoralização está por toda parte que eles interagem? Não se pode ser educador de valores éticos se nossa vida prática enquanto indivíduos, profissionais e sociedade evidenciam o contrário, seja por que razão for. As crianças e adolescentes são inteligentes e perceptivos o bastante para notarem todas as incongruências entre o que se diz e o que se vive.

O conhecimento deve servir para ajudar as pessoas a participarem das decisões políticas através dos seus representantes (com relação às necessidades humanas básicas na sociedade), cobrando sua atuação e não votando naqueles que não os representaram adequadamente. O sistema político deve ter meios acessíveis de participação popular, para que as pessoas voltem a acreditar na política e no país, e que elas efetivamente façam parte da construção do país, para aplicação dos valores éticos e conhecimentos que deveriam aprender também na escola. Mas, se o sistema é corrompido, se não há condições de seus professores se sustentarem dignamente e o conhecimento é usado para lucro individual em detrimento da maioria, essa escola não faz sentido para o aluno. Ela não é uma tutora honesta da realidade que ajuda a desenvolver para a vida e luta por princípios éticos, não na perpetuação da opressão e desrespeito ao povo.

1Freire, P. A Pedagogia do Oprimido; Freire, P. Pedagogy of the Heart. Ed. Bloombury (Great Britain).

2Rosenberg, M. B. We can Work it Out – Resolving Conflicts Peacefully and Powerfully. Rosenberg. M.B. Comunicação Não-Violenta. Editora Ágora.

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Sem imparcialidade não é possível uma Sociedade ser justa

    Um obstáculo importante para uma sociedade ser justa é praticar o valor ético da imparcialidade. 

    Mas no que consiste esse valor ético?

   Ser imparcial consiste em avaliar ou julgar atitudes ou ações pelos mesmos critérios e valores éticos, sem dar preferência a certas partes, partidos, grupos ou indivíduos.

    Todos podemos apreciar esse ou aquele grupo, se identificar mais com essa ou aquele grupo ou mentalidade, conjunto de habilidades, etc. Apesar de preferir estar nessa ou naquela companhia, ou ter mais afinidade com esse ou aquele grupo, na hora de avaliar ou julgar um comportamento, não podemos dar preferência no nosso julgamento aos grupos ou indivíduos dos quais somos mais próximos, ou àqueles com quem temos afinidade, ou ao que nos é familiar, ou aquele que nos dá maior lucro ou favorece interesses pessoais nossas ou de outras partes. 

    Não é ético dar preferência ao que é meu, ou ao que me beneficia. Então, como é o julgamento ético? O julgamento ético é baseado nos mesmos valores e critérios para com todos, sem diferença entre pessoas, por pertencer a esse ou essa família ou grupo. O compromisso maior deve ser com os valores éticos, não com pessoas. De outro modo cairíamos no favorecimento de essa ou aquela pessoa, transgredindo os valores da ética a qual deveríamos ser comprometidos. O que realmente beneficia as pessoas e a sociedade é que ajudemos uns aos outros a andarem conforme os valores éticos tais como: não usar dois pesos e duas medidas, ou seja, não usar de um critério para com certas pessoas, e outro critério para outras pessoas.

    Todo indivíduo é alguém diferente, com diferente essência (alma), diferentes e únicas características. Todos temos igual valor para o Criador que nos fez. Os mesmos critérios ou valores éticos devem ser aplicados na avaliações das pessoas, sem exercer preferência por um ou outro, mesmo que o outro seja mais próximo a nós afetivamente, economicamente, socialmente, religiosamente, ou em qualquer outra esfera humana de relacionamentos interpessoais, grupais ou sociais.



 “Não serás parcial no julgamento; ouvirás assim o pequeno como o grande. Não temas homem algum porque o julgamento é de Deus” (Deuteronômio 1:17). 

Não torcerás o juízo, não mostrarás parcialidade nem tomarás suborno, porque o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Deuteronômio 16:19). 

Não farás injustiça no juízo, não favorecerás o pobre ou demonstrarás deferência ao rico; com justiça julgará o teu próximo” (Levítico 19:16).

    Entretanto, há situações desfavoráveis e frágeis, em que qualquer pessoa precisa de ajuda. A sociedade deve, então, ajudar toda pessoa que se encontre nessas situações vulneráveis, de modo a que tenham direito de viver em dignidade e ser parte  ativa da sociedade, superando suas dificuldades que, na ausência de ajuda, poderiam levar essas pessoas à condição de risco. Qualquer pessoa,  quando se encontra em condição desfavorável ou frágil, frente a sociedade, deve receber ajuda para superar suas maiores dificuldades. Essa ajuda deve ser a mesma, sem distinção entre pessoas, mas igualmente dada a qualquer pessoa que se encontre nessa situação. Essas são as condições dos estrangeiros, das viúvas, dos pobres e dos órfãos (Deuteronômio 10:18-19; 24:20-21; Levítico 19:9-10; Êxodo 22:21-22).

    Deve haver um cuidado especial na proteção daquele que se encontra em situação mais frágil ou desfavorável:  com o estrangeiro, com o órfão e da viúva (Êxodo 22/21-22 e Deuteronômio 10/18-19), com o pobre (as sobras da colheita deveriam ser deixadas para o pobre, o estrangeiro, o órfão e a viúva (Levítico 19/9-10 e Deuteronômio 24/20-21).

    Devemos lembrar de que não recebemos igualmente a todas as pessoas, temos recebido conforme o lar, contexto, e sociedade em que nascemos. Se nós como sociedade não estamos dando plenas condições de desenvolvimento de uma pessoa, devemos providenciar conserto, de modo a suprir as necessidades dela, para que seja alguém plenamente capaz, inserido e participante na sociedade no exercício do seus dons e talentos. Ser responsável socialmente implica em sermos comprometidos em ajudar uns aos outros em suprir aquilo que nos foi privado, tanto pela sociedade quanto pela família, sanando as brechas que causam dano ao indivíduo, e consequentemente, à sociedade. 

    O individualismo opera contra a responsabilidade social. O governo e sociedade devem zelar pela educação e formação do indivíduo. A responsabilidade social exige que se nós como sociedade causamos dano a um indivíduo, cabe a nós, ajudarmos no conserto, na mesma intensidade do dano anteriormente causado (Êxodo 21:24; 22);

    Para sermos imparciais devemos investigar, interrogar as pessoas e partes envolvidas da mesma maneira, sem diferença.

    Não se pode tirar de nenhum ser humano os instrumentos básicos necessários à sua subsistência ou exercício profissional, independente quem seja esse ser humano (Deuteronômio {Devarim} 24:6).

    Não se pode condenar os filhos pelos pecados dos pais, nem os pais pelos dos filhos (se esses já atingiram sua idade de responsabilidade por si mesmo) (Deuteronômio {Devarim} 24:16). Cabe à sociedade cuidar para que os jovens recebam boas instruções para viver, de modo a poderem tomar responsabilidade por si mesmos e ter consciência dos valores que adotaram para a vida e a relação das atitudes com esses.

    Não se pode fraudar pesos ou medidas (Levítico {Vaykra} 19:35-36, Deuteronômio {Devarim} 25:13-15). A balança antiga (vide figura) costumava pesar as coisas de um lado da balança com a referência de um peso de massa conhecida, do outro lado. Se houvesse mudança do peso de medida (de referência ao pesar dos demais), todas a medida estaria alterada. Da mesma forma é a parcialidade: altera o peso da medida de referência, ou, analogamente, adultera os valores éticos (que são os padrões com os quais medimos as ações humanas), conforme o  freguês que vai pesar. Assim, a parcialidade pesa um de uma maneira, e outra pessoa, de outra maneira, com uma outra medida ou peso. 

    A parcialidade é uma  forma de corrupção muito comum e assim como as outras injustiças está enraizada na ausência de crença de que ser justo e andar em retidão é o caminho mais abençoador na vida (apesar da corrupção das outras pessoas, o que escolhe viver em justiça e amor, escolhe a vida), assim como está escrito na Bíblia Hebraica, que afirma:


"Quem anda em integridade habita em segurança"- Provérbios 10:9

"O Eterno é o Meu Pastor, nada me faltará" (Quem anda no caminho guiado pelo Eterno não tem falta de nada) - Salmos 23:1

"O justo pela sua fé viverá"  (a justiça vem do que exercita a fé no Criador) -Habacuque (Habakuk)  2:4

    
     Devemos lembrar que nada pode se fazer de garantia a uma vida feliz e próspera (mesmo bens acumulados podem ser perdidos de diversas formas no momento seguinte, conforme a vontade do Criador), exceto a prática do amor e justiça verdadeiros, os valores éticos (dados pelo Criador à humanidade na Bíblia Hebraica). A transgressão a esses valores pode dar ilusório lucro momentâneo, mas que não perdura, assim como nada que não é semeado em justiça e amor, no anseio de beneficiar ao próximo e ajudá-lo a andar nos caminhos prósperos e íntegros do não fazer para o próximo aquilo que não se deseja para si mesmo (Salmo 73). 

    Somente o Criador pode garantir algo, e ele garante ao que andam em retidão e justiça, e ama ao Criador e ao próximo como a si mesmo, e nesse compromisso, cresce mais e mais a cada dia essa direção. Sem a fé de que o Criador é maior que os poderosos e corruptos e quem quer que seja, o indivíduo, sentindo-se oprimido, pode querer dar um jeito para que a justiça seja feita. A solução que resulta em algum bem não é senão que ele mesmo ande em justiça e amor com Seu Criador e com as pessoas, crendo que não haverá futuro para o homem corrupto, mesmo que sua opressão parece durar para sempre e derrame muitas lágrimas, pois a salvação do justo da mão dos opressores é certa. É somente questão de tempo. 

    Seja cada um o exemplo da sociedade que se quer construir, com fé no Criador, que é maior que todos os poderes e honras humanos. Para sermos justos é necessário essa fé no Criador e  desejo de viver o amor e a justiça acima de quaisquer outros desejos.






domingo, 2 de maio de 2021

De que vale o conhecimento quando o dinheiro é o "deus" da sociedade?


 

O ser humano para viver tem necessidades básicas tais como comer, vestir, morar, ter boa saúde. Precisa plantar e colher os frutos para se alimentar. Precisa extrair materiais da natureza para construir sua moradia, tais como metais, madeira, pedra, etc. Para vestir, descobriu que o algodão era útil para fazer roupas, através da confecção de fios e do trabalho de entrelaçar esses fios. Com o tempo, foi descobrindo formas de tornar menos árduo o trabalho de construção, plantação, colheita, fabricação de tecidos, limpeza. Ao longo de muitos e muitos anos, o trabalho manual tem se tornado mais “leve”, através da tecnologia, das máquinas, novos compostos e substâncias químicas fabricadas ou manipuladas pelo ser humano, que fazem, em nosso lugar, parte do trabalho mecânico que antes fazíamos.

Muitas vezes a sociedade tem aplicado a tecnologia, as novas invenções, sem antes avaliar seu impacto ambiental e social. Alguns exemplos gritantes da atualidade são a liberação e até substituição dos alimentos por alimentos transgênicos, cujas consequências não são tão conhecidas. Outro exemplo, os desodorantes convencionais foram praticamente substituídos por desodorantes anti-transpirantes, que retém as impurezas do suor dentro do organismo. Podem, com isso, gerar novas modalidades de doenças, mas colocam a economia e seu lucro acima do bem-estar social. A crescente substituição dos empregados humanos pelas máquinas e robôs geram cada vez mais desemprego. Não é desconhecido na história o impacto (social e ambiental) causado pelas máquinas térmicas, como as máquinas a vapor. Fez com que o ser humano pudesse produzir mais tecidos, com maior facilidade. No entanto, o trabalhador foi ainda mais explorado na sua jornada de trabalho extensa e insalubre, tão bem retratada por Charles Chaplin, na sua obra prima “Tempos Modernos”. Será possível que já a esquecemos? Nas capitais dos países ricos, há pessoas pedindo dinheiro nas ruas. Para que concentrar riqueza nas mãos de alguns, sem cuidar da necessidade do outro? Isso é verdadeira riqueza e sabedoria? Que felicidade há nisso? Que solidariedade existe em não se importar com a dor do nosso semelhante, com a injustiça que a sociedade prolifera sem culpa na consciência?

Como vemos, a tecnologia tem sido usada para trazer conforto à sociedade para suprir suas necessidades humanas básicas, mas tem, em muitos aspectos, tornado a vida humana mais penosa, e gerando doenças na sociedade e desastres na ecologia. A tecnologia e a ciência, tem sido usadas também como instrumento de enriquecimento dos mais privilegiados, tem dado vazão `a ganância dos poderosos e ao descuido com o menos favorecido. Não precisa ser assim. Não deve ser assim. Se os valores éticos pautassem as decisões, tudo seria usado para o bem. Mas quando a cobiça, a ganância, o amor ao status, à riqueza e poder prevalecem, tudo é usado para o dano.

Será que o que patrocina ou move pesquisas científicas e tecnológicas, muitas vezes, continua sendo para alimentar a ganância, o luxo, o descaso com o mais carente? Conhecer não é, necessariamente, ter sabedoria. Ter sabedoria é colocar o conhecimento em prol de todos os seres humanos, da sociedade como um todo, da natureza, e usar o conhecimento para construir, não para destruir. Para causar o bem, não para tornar maior o sofrimento e o dano. Mas quem está pesando os riscos e benefícios, os prós e os contras, coloca o dinheiro acima de tudo, como valor supremo ?

E onde a sabedoria está sendo ensinada nas escolas? Através da exploração e desvalorização do professor pelo governo, dando-lhes vida penosa e sacrificante ? As escolas sem psicólogo, sem bedel, sem assistente social em número suficiente, sem estrutura para tratar de todos os desafios e crises que a criança e o adolescente já passa em sua casa, bairro e cidade ?. E que tipo de conhecimento é espalhado? para que serve para aliviar o estrago social do cotidiano dessas pessoas? qual a relação desse conhecimento com as necessidades humanas básicas? Como o aluno consegue com a escola entender seu papel na sociedade, através do exercício dos seus talentos? Ele reconhece os problemas? Ele vê esperança? Como o aluno pode ser um agente na construção do futuro? Estudo e conhecimento tem valor para o país, para o mundo? Para construir um país melhor ou só para conseguir um salário digno? Os alunos tem condições de serem indivíduos críticos, que sabem como ajudar, cooperar e se inserir dentro da problemática social e no planeta? Quem são seus exemplos de vida? Como eles vivem? São eles excluídos? Há liberdade para descobrir seus próprios dons, talentos e interesses, com respeito a como ajudar a sociedade? Quem está orientando essa juventude? Eles se sentem esperançosos? Ou será que querem se tornar como os que os oprimem hoje, para não serem mais a parte oprimida, porque cansaram da dor?

O Governo tem obrigação de pôr limite nos abusos e naquilo que gera dano à sociedade como um todo ou ao menos favorecido. O dinheiro não pode ditar sobre os demais valores, Os valores éticos devem limitar os abusos cometidos pelos detentores de poder, dinheiro e posição. E quando o governo se coliga com os gananciosos e vende seus valores éticos? Nós, como população, não podemos dizer que não queremos esses governantes? Não podemos nos organizar em cooperativas de apoio, cuidado mútuo e solidariedade?

É preciso escolher e nos apegarmos firmemente aos valores éticos, para que a corrupção não se alastre desde o menor até o maior. Pois aí, não haverá futuro para a nação caótica, a Sodoma e Gomorra, onde cada um passando por cima dos valores éticos, cuida apenas do seu, e usa instrumentos ilícitos para saciar suas cobiças e interesses pessoais. Ou se põe um fim, se apegando aos valores de respeito, amor, cooperação, direitos de alimentação, moradia, dignidade, trabalho, a todos, ou a opressão do dinheiro e poder sobre os menos favorecidos e aos que amam as outras pessoas, será cada vez maior, intolerável. Ou cuidamos uns dos outros, ou desfalecemos como nação.

Se deixarmos, o dinheiro atua como um deus em nossa sociedade, passando por cima da dignidade dos outros seres humanos, do meio ambiente, do bem-estar social, principalmente, em detrimento dos que receberam menos desde o seu nascimento (os menos favorecidos), privados de condições apropriadas de desenvolvimento e inserção social.

Se continuarmos deixando o dinheiro ser um deus em nossa vida, cada vez mais pessoas que se dedicam ao cuidado mútuo, ao amor, à educação, à justiça, ou seja, ao que realmente tem valor, não vão ter espaço nessa sociedade onde o dinheiro prevalece como um deus. E também a vida dos mais privilegiados, dos que se deixam vender seus valores éticos ou seduzir pelo dinheiro, torna-se mais sem sentido, sem amor, pois que felicidade há sem amar, sem se doar pelo próximo? Que felicidade há em ver nas ruas o sofrimento cada vez maior do povo que se corrompe e adere ao sistema onde o lucro é acima do respeito, da consideração, do bom tratamento, do não fazer para o outro o que não se deseja para si mesmo (o verdadeiro amor)?

O conhecimento é diferente de sabedoria. A sabedoria mede consequências, coloca o ser humano e seus valores em primeiro lugar. A sabedoria não causa dano ao próximo nem à natureza. Temos liberdade, mas não é tudo que podemos ou que devemos, ou que tem boas consequências.

Todos os indivíduos devem ter direito ao desenvolvimento pleno, à descoberta e exercício dos seus talentos e dons. Todo indivíduo deve ter direito ao trabalho sem exploração e à contribuição à sociedade. Todo indivíduo deve ter direito a cuidar de sua saúde, direito à habitação, direito a viver numa sociedade que cultiva o respeito mútuo, a cooperação mútua e a paz. Toda pessoa deve ter direito de andar nas ruas sem medo de violência. Toda pessoa deve ter direito de ter contato com a natureza a qual faz parte (é uma necessidade humana básica que influencia o bem-estar humano), a habitar em torno dela e compreendê-la, respeitá-la e estar em harmonia com ela, sem danificá-la.

Precisamos tomar responsabilidade sobre as nossas vidas e sobre a vida da nossa nação. É o povo que decide o que quer, cada indivíduo que escolhe que valores e o que vai semear na vida. Se vai deixar o dinheiro oprimi-lo e escravizá-lo, ou se vai se mover para pôr fim aos abusos, às corrupções e se unir aos demais que escolheram o amor e a justiça para reconstruir a nação, para fiscalizar e denunciar a imoralidade, para respeitar a esposa, o esposo, a família, o outro e o que a ele pertence. Precisamos tomar responsabilidade para aprender em quem votar e como cobrar dos eleitos coerência com suas propostas, e não desistir de lutar pelos valores éticos. Existe um Deus verdadeiro, e não é o dinheiro, nem nada criado pelo ser humano. Vamos erguer a voz por aqueles que não tem como se defender e ajudá-los com todo amor, como se fossemos nós mesmos, pois o amor se importa e o amor se doa para benefício do próximo. E o Criador está com os que escolhem o amor e a justiça, e salva da mão do opressor. Se nos apegarmos à integridade e ao amor, apesar de outros (ou até muitos) escolherem outros caminhos, haverá esperança. Sejamos corajosos.


Quando Nossa Educação Deseduca

  A nossa educação deseduca sempre que ensinamos conhecimentos, sem instruir os valores éticos que devem dirigi-los. A nossa educação ...